Haddad denuncia esquema de lavagem de dinheiro envolvendo fundos nos Estados Unidos
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, trouxe à tona uma grave preocupação: organizações criminosas brasileiras estariam utilizando fundos e empresas sediadas nos Estados Unidos, especialmente em Delaware, conhecido como paraíso fiscal, para lavar o dinheiro proveniente de suas atividades ilícitas.
Essa engenharia financeira, descrita pelo ministro como uma “triangulação internacional gravíssima”, envolve o envio de recursos para o exterior, que posteriormente retornam ao Brasil disfarçados de investimento estrangeiro direto. A suspeita é que esses fundos sejam empréstimos fictícios, que jamais serão pagos, mas que legitimam a entrada de capital ilícito no país.
A declaração do ministro ocorreu após a Receita Federal desarticular um esquema complexo de sonegação fiscal que pode ter causado um prejuízo de mais de R$ 26 bilhões aos cofres públicos. O principal alvo da operação é o Grupo Refit, que opera uma refinaria e postos de combustíveis e figura como um dos maiores devedores de ICMS no Brasil.
Operação da Receita Federal desmantela esquema bilionário
A operação da Receita Federal, que serviu de gatilho para as declarações de Haddad, identificou um esquema de sonegação fiscal de proporções alarmantes. O Grupo Refit está no centro das investigações, sendo apontado como o maior devedor de ICMS em São Paulo e um dos maiores do país, com suspeitas de lesar o Estado em mais de R$ 26 bilhões.
Delaware, um “paraíso fiscal” no coração do esquema
Segundo o ministro Haddad, a escolha de Delaware como sede das empresas fictícias não é por acaso. Este estado americano é conhecido por suas leis de sigilo financeiro e baixos impostos, características de um paraíso fiscal, o que facilita a ocultação de capital e a simulação de operações financeiras.
“O crime organizado faz um empréstimo para esses fundos, que é a suspeita da Receita de que jamais serão pagos, e voltam em forma de aplicação no Brasil, como se fosse um investimento estrangeiro direto”, explicou Haddad, citando um caso recente em que R$ 1,2 bilhão saiu ilegalmente do país e retornou simulando investimento regular.
Busca por colaboração internacional para combater crimes financeiros
Diante da gravidade da situação, Fernando Haddad manifestou a intenção de estabelecer um canal de comunicação direto com o governo dos Estados Unidos. O objetivo é compartilhar informações e solicitar cooperação para **impedir que paraísos fiscais norte-americanos sejam utilizados para a lavagem de dinheiro e a simulação de investimentos no Brasil**.
“Fazer chegar as informações de como os fundos nos Estados Unidos estão sendo utilizados para lavagem de dinheiro e simulação de investimento estrangeiro no Brasil. Mas não sabemos quantos fundos são. Importante ter colaboração internacional”, ressaltou o ministro.
Contrabando de armas também é identificado
Além das complexas operações financeiras, o ministro Haddad revelou que a Receita Federal também identificou **contrabando de armas vindas dos Estados Unidos**. Essas cargas chegam ao Brasil em contêineres, trazendo peças ou armamentos completos de forma ilegal, o que agrava a preocupação com o fortalecimento do crime organizado no país.
Para reforçar o pedido de cooperação internacional, o ministro solicitou a elaboração de um relatório técnico detalhado, com fotos e registros dos contêineres, a fim de apresentar evidências concretas ao governo americano. A colaboração entre Brasil e EUA é vista como essencial para **conter o fluxo de armamentos e desarticular rotas do crime transnacional**.
“Se queremos impedir que a droga chegue lá, é fundamental que iniba o crime nos territórios impedindo que o armamento pesado chegue ao Brasil”, concluiu Haddad, enfatizando a necessidade de uma parceria estratégica para combater o crime organizado em suas diversas frentes, desde o financiamento ilícito até o acesso a armamento pesado.