Novo Estudo Global de QI Posiciona Brasil em 90º Lugar e Gera Controvérsias
Um estudo recente, divulgado há poucos dias, reacendeu o debate sobre as diferenças de QI entre países. A pesquisa, que analisou dados de 197 nações, estima a média de QI do Brasil em 83,44 pontos, colocando o país na 90ª posição. O levantamento, assinado pelo pesquisador dinamarquês Emil O. W. Kirkegaard, consolida informações de diversos testes psicométricos globais, buscando harmonizar resultados para uma comparação internacional.
A metodologia do estudo visa converter diferentes testes e escalas para um padrão comum, mas o próprio relatório reconhece limitações significativas. A qualidade e a quantidade de dados disponíveis variam enormemente entre os países. Algumas estimativas se baseiam em amostras amplas e recentes, enquanto outras dependem de pesquisas antigas, com grupos pequenos ou específicos.
Fatores como idioma, formato da prova, tempo de aplicação e familiaridade cultural com testes podem influenciar os resultados. Além disso, o contexto socioeconômico, incluindo escolaridade, nutrição e saúde infantil, afeta diretamente o desempenho cognitivo, dificultando a interpretação dos números como retratos definitivos. Conforme informação divulgada pelo estudo, o QI do Brasil é estimado em 83,44 pontos.
Extremos do Ranking Global de QI
As maiores médias de QI no estudo estão concentradas em nações asiáticas e europeias altamente desenvolvidas. Singapura lidera com 108,70 pontos, seguida por Hong Kong (106,02), Japão (105,90) e Taiwan (105,23). Na outra ponta, países que enfrentam severos desafios socioeconômicos apresentam as menores médias. Djibouti aparece em último lugar com 66,10 pontos, seguido por Sudão do Sul (65,84) e Chade (65,73).
A amplitude dessa variação global é notável. O estudo detalha que os dez primeiros colocados incluem nações como Coreia do Sul, Estônia e Canadá. Em contrapartida, nações africanas como Malawi, Guiné-Bissau e Gana figuram entre as últimas posições, evidenciando a correlação entre desenvolvimento socioeconômico e indicadores cognitivos médios.
Controvérsias e Histórico do Autor
O nome de Emil O. W. Kirkegaard, autor do estudo, é frequentemente associado a controvérsias. Ele já defendeu teses consideradas racistas e eugênicas, e parte de sua produção circula em plataformas que abrigam estudos rejeitados por periódicos científicos tradicionais. Esse histórico levanta um escrutínio adicional sobre seus resultados.
Pesquisas sobre QI, especialmente quando envolvem comparações internacionais ou étnicas, carregam um histórico sensível. Ao longo do século XX, métricas cognitivas foram utilizadas tanto em projetos científicos sérios quanto em iniciativas ideológicas, associadas a teorias de superioridade racial. Por isso, um ranking global de inteligência publicado por Kirkegaard gera cautela, não apenas pela metodologia, mas pelo risco de interpretações deterministas.
Inteligência: Uma Interação Complexa de Fatores
A ciência contemporânea reconhece que a inteligência é resultado de uma interação complexa entre genética e ambiente. Genes importam, mas a expressão dessas predisposições depende de variáveis como educação, estímulos culturais, qualidade do sono, nutrição e segurança pública. Não existe uma linha reta entre herança biológica e resultados em testes padronizados.
O QI, embora capture algo real e tenha boa capacidade preditiva para alguns desfechos, não abrange o conjunto das capacidades humanas. Ele não mede criatividade, competências socioemocionais, curiosidade ou liderança. Tratá-lo como sinônimo de inteligência total ignora décadas de pesquisa multidisciplinar, que enfatiza a inteligência como algo multifacetado.
QI do Brasil: Reflexo das Desigualdades Sociais
Quando o estudo aponta o Brasil na 90ª posição, com média estimada de 83,44 pontos, o número deve ser lido como um reflexo das desigualdades que atravessam o país. Desenvolvimento cognitivo está fortemente ligado a fatores como saúde materno-infantil, desnutrição crônica, exposição à violência e defasagem escolar.
O Brasil ainda enfrenta desafios como altas taxas de evasão escolar, baixa proficiência em leitura e matemática, e disparidades regionais e sociais. Em um ambiente assimétrico, médias nacionais tendem a refletir a estrutura social que molda as oportunidades, e não uma capacidade inata da população. O ranking pode servir como um convite à reflexão sobre as condições que fortalecem ou limitam o potencial humano.
Políticas de primeira infância, combate à pobreza, melhoria da educação básica e acesso equitativo a bens culturais são essenciais para transformar ambientes cognitivos desiguais e, consequentemente, influenciar positivamente indicadores como o QI médio da população brasileira.