Tommy Robinson, o nome por trás dos protestos de direita no Reino Unido e o suporte de Elon Musk
O ativista político Tommy Robinson, cujo nome verdadeiro é Stephen Yaxley-Lennon, emergiu como uma figura proeminente na direita britânica, atraindo a atenção e o apoio de Elon Musk, o homem mais rico do mundo. Robinson esteve à frente de protestos contra a imigração ilegal que reuniram mais de 100 mil pessoas em Londres, marcando um dos maiores atos de direita na história recente do Reino Unido.
A manifestação, intitulada “Unite the Kingdom”, visava denunciar o que os organizadores consideram ser um avanço descontrolado da imigração no país, associando-a a um aumento na violência. A pauta de Robinson tem ressonância em um cenário político global onde debates sobre segurança e identidade nacional ganham força.
Nascido em 27 de novembro de 1982, em Luton, Robinson iniciou sua jornada ativista em resposta a grupos islâmicos radicais na sua região. Em 2009, fundou a English Defence League (EDL), um movimento que se posicionava contra o extremismo islâmico e defendia valores cristãos e nacionais britânicos. Conforme relatado por Robinson em seu livro “Enemy of the State” (2015), sua mobilização política começou após um protesto de militantes islâmicos radicais em Luton, que ocorreu durante um evento para recepcionar soldados britânicos que retornavam do Afeganistão. Na ocasião, cartazes com ofensas aos militares foram exibidos, um evento que Robinson citou como o estopim para sua atuação política e a fundação da EDL.
A saída da EDL e a continuidade da militância
Em 2013, Tommy Robinson deixou a EDL, citando divergências internas e a infiltração de grupos violentos no movimento. Apesar disso, ele manteve sua atuação na direita através de projetos de mídia independente e campanhas focadas na segurança pública e na defesa dos valores britânicos. Sua trajetória o levou a criar o portal Urban Scoop, que denunciava casos de “grooming gangs”, redes de exploração sexual infantil com envolvimento majoritário de homens de origem paquistanesa, que abusaram de centenas de meninas no Reino Unido entre as décadas de 1990 e 2010. Uma investigação do jornal The Times apontou mais de 1,4 mil vítimas apenas na cidade de Rotherham, em casos que, segundo o jornal, foram ignorados por autoridades locais por receio de acusações de racismo.
Processos judiciais e alegações de perseguição
Ao longo de sua carreira, Robinson enfrentou diversos processos judiciais. Ele já foi condenado por desacato, fraude e agressão. Robinson, contudo, sempre sustentou que tais processos são resultado de uma perseguição judicial motivada por suas denúncias sobre crimes cometidos por imigrantes ilegais no Reino Unido. “Fui perseguido, tive contas bancárias congeladas, fui removido de plataformas, falido, atacado violentamente e preso por falar contra isso [a imigração descontrolada]”, escreveu ele em uma publicação na rede X.
Ele também mencionou um julgamento futuro, previsto para 2026, onde pode enfrentar uma sentença de dez anos de prisão. Robinson alega que está sendo alvo por seu “jornalismo”, especificamente por denunciar crimes de imigrantes, e compara sua situação à de Donald Trump, chamando-a de “lawfare”.
Expansão internacional e o apoio de Elon Musk
Nos últimos anos, Tommy Robinson construiu uma base de apoio internacional, especialmente entre movimentos conservadores nos Estados Unidos e em outros países europeus. Sua visita a Israel, a convite do ministro Amichai Chikli, que o descreveu como “um líder corajoso na linha de frente contra o islamismo radical”, reforça essa expansão.
A relação com Elon Musk se intensificou após a aquisição do Twitter (agora X) pelo empresário em 2022. Musk reativou a conta de Robinson, que havia sido banida em 2018 por violações da política de discurso de ódio. Essa decisão devolveu a Robinson acesso a milhões de seguidores e ampliou seu alcance. Musk tem se referido a Robinson como um “símbolo da resistência à censura no Reino Unido” e participou por vídeo dos protestos de setembro em Londres, incentivando os britânicos a “lutar pela sobrevivência de sua nação”.
Relatos da Reuters e do Politico indicam que Musk pode ter custeado parte das despesas legais de Robinson. Um dos casos mencionados envolve uma acusação sob a Lei Antiterrorismo, após Robinson se recusar a fornecer a senha de seu celular à polícia em julho do ano passado, alegando que o aparelho continha material jornalístico e que a ação policial era politicamente motivada. O ativista foi absolvido de todas as acusações em outubro, e Robinson afirmou que a defesa, que custou cerca de 100 mil libras, foi financiada por Elon Musk, embora o empresário não tenha confirmado oficialmente o pagamento.