Desemprego no Brasil registra menor taxa da série histórica em outubro, caindo para 5,4%
A taxa de desemprego no Brasil surpreendeu positivamente ao atingir 5,4% no trimestre encerrado em outubro, o menor índice já registrado desde o início da série histórica da pesquisa. Este resultado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indica que 5,9 milhões de brasileiros estavam desocupados neste período, um número inferior às expectativas do mercado.
A pesquisa aponta para uma dinâmica de mercado de trabalho em recuperação, com destaque para as contratações no setor público e na construção civil. Esses setores foram os principais responsáveis pela geração de novas vagas, contribuindo para a redução da taxa geral de desocupação.
Apesar do avanço, a persistência da informalidade e o crescimento do emprego público continuam sendo características importantes deste cenário. O IBGE detalhou as movimentações por setor, oferecendo um panorama mais claro do mercado de trabalho nacional.
Setor público e construção impulsionam geração de empregos
A área ligada à administração pública registrou um crescimento expressivo de 1,3%, adicionando cerca de 252 mil pessoas ao mercado de trabalho. Paralelamente, o setor da construção civil apresentou uma alta de 2,6%, somando 192 mil novos trabalhadores. Esses números reforçam a importância desses setores na absorção de mão de obra.
Em contrapartida, o setor de “outros serviços” apresentou uma retração de 2,8%, com uma perda de 156 mil postos de trabalho. Essa queda pode refletir ajustes em diferentes segmentos de serviços, impactando o saldo geral de empregos.
Comparativo anual revela crescimento em transportes e setor público
Ao comparar com o mesmo período do ano anterior, o setor de transportes mostrou um crescimento robusto de 3,9%, o que se traduziu em 223 mil novas vagas. O setor público ampliado também demonstrou força, com um avanço de 3,8% e a adição de 711 mil trabalhadores.
Por outro lado, os serviços domésticos sofreram uma queda de 5,7%, representando a perda de 336 mil empregos. Essa redução é atribuída, em parte, aos ajustes no consumo das famílias, possivelmente influenciados por restrições de crédito e mudanças nos padrões de gastos.
População ocupada e emprego formal em alta
A população ocupada no Brasil manteve-se estável em 102,6 milhões de pessoas, mas acumula uma alta de 926 mil trabalhadores em um ano. O nível de ocupação permaneceu em 58,8%, demonstrando consistência tanto em relação ao trimestre anterior quanto ao ano passado.
O setor privado alcançou o maior número da série histórica, com 52,7 milhões de empregados, sem variações significativas no trimestre. Os trabalhadores com carteira assinada atingiram um recorde de 39,2 milhões, um aumento de 2,4% em um ano. Já os trabalhadores sem carteira somaram 13,6 milhões, com uma queda anual de 3,9%.
Rendimento médio e massa de rendimentos batem recordes
O rendimento médio real dos trabalhadores alcançou R$ 3.528, outro novo recorde, apresentando uma alta de 3,9% no ano e mantendo-se estável no trimestre. A massa de rendimentos, que representa o total de salários pagos, atingiu R$ 357,3 bilhões, também um recorde histórico, com um crescimento anual de 5,0%.
A coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beringuy, destacou que a manutenção do elevado contingente de trabalhadores, aliada à estabilidade do rendimento, permitiu a consolidação desses valores recordes na massa de rendimento, sinalizando um cenário econômico mais favorável para os trabalhadores.