Trinidad e Tobago confirma radar dos EUA próximo à Venezuela, aumentando tensões na região.
A primeira-ministra de Trinidad e Tobago, Kamla Persad-Bissessar, confirmou a instalação de um novo radar pelo Exército dos Estados Unidos em seu território, próximo à costa venezuelana. A notícia, divulgada pela imprensa local nesta sexta-feira (28), intensifica as já elevadas tensões entre os países sul-americanos.
O equipamento, localizado na ilha de Tobago, tem como objetivo principal o monitoramento de atividades dentro e fora do país. Segundo as declarações da premiê, a colaboração com as tropas americanas visa a modernização do aeroporto e a vigilância na ilha, embora informações anteriores indicassem a partida dos fuzileiros navais.
“A instalação nos ajudará a melhorar nossa vigilância contra narcotraficantes em nossas águas”, declarou Persad-Bissessar, em um discurso que ecoa a retórica adotada por Washington na atual crise com a Venezuela. A confirmação surge após relatos de avistamentos de fuzileiros navais americanos e a detecção de aeronaves militares pousando no Aeroporto Internacional ANR Robinson por plataformas de rastreamento de voos.
Exercícios militares e a resposta de Caracas
Cerca de 350 militares da 22ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos participaram de exercícios conjuntos com a Força de Defesa de Trinidad e Tobago entre 16 e 21 de novembro. Essas manobras ocorreram após uma reunião entre a premiê Kamla Persad-Bissessar e o chefe do Estado-Maior dos EUA, Dan Caine, para discutir desafios de segurança regional e atividades de organizações criminosas transnacionais.
Apesar de Persad-Bissessar ter assegurado que os EUA não solicitaram permissão para usar o país como “base para nenhuma guerra contra a Venezuela”, o governo de Nicolás Maduro reagiu com veemência. Em resposta aos exercícios militares, o ditador venezuelano convocou a população de seis estados do leste do país para uma “vigília e uma marcha permanente nas ruas”.
Histórico de desconfiança e acusações mútuas
Esta não é a primeira vez que exercícios militares entre os dois países geram desconfiança. Em outubro, os EUA enviaram o contratorpedeiro USS Gravely ao arquipélago, o que levou Caracas a acusar o governo de Trinidad e Tobago de se prestar a uma “operação de falsa bandeira liderada pela CIA” com o objetivo de desencadear uma invasão americana à Venezuela. Na ocasião, o regime chavista suspendeu um acordo energético com Trinidad e Tobago e declarou a primeira-ministra persona non grata.
Ações americanas contra o narcotráfico e o receio venezuelano
A instalação do radar ocorre em um contexto de intensificação das ações americanas contra o narcotráfico. Recentemente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que as forças americanas intensificarão ações por terra contra cartéis de drogas venezuelanos. Essas operações, que já resultaram em ataques a embarcações ligadas ao narcotráfico, são vistas pelo chavismo como uma estratégia para desestabilizar e remover Maduro do poder.