A esquerda é o problema, afirmam pesquisas, e a mudança ideológica da esquerda tem sido quase sempre para posições mais extremas e menos negociáveis
Lead. Nas últimas décadas, várias pesquisas e análises internacionais sinalizam que a radicalização do espectro progressista tem sido um motor importante do aumento da polarização política.
O fenômeno aparece em estudos acadêmicos e em análises de veículos internacionais, que mostram deslocamentos da esquerda para posições mais consistentes e, em muitos casos, mais extremas.
Os dados e interpretações a seguir foram reunidos a partir das fontes citadas pelo material original, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.
Evidências empíricas citadas pelas fontes
Um estudo publicado este mês por David Young et al. analisou a posição política dos eleitores americanos desde 1988, e concluiu que a polarização deveu-se mais à radicalização da esquerda, enquanto a direita praticamente manteve as suas posições.
Em uma análise para o Financial Times, publicada no final de 2024, John Burn-Murdoch demonstrou que, em temas como ações afirmativas e imigração, os democratas afastaram-se bastante do eleitor mediano, muito mais que os republicanos.
Em outra análise, publicada em dezembro de 2024, o mesmo autor comentou como, há 20 anos, os democratas americanos eram mais restritivos que os hispânicos em relação à imigração, hoje, no entanto, os democratas são substancialmente mais favoráveis à imigração que os hispânicos.
Pesquisas de instituições reconhecidas
Uma pesquisa da Pew Research Center mostrou também como, de 1994 a 2014, os democratas tornaram-se mais ideologicamente consistentes que os republicanos.
Uma pesquisa da Gallup demonstrou a mesma radicalização acelerada dos democratas.
Esses levantamentos são citados como evidência de um movimento interno à esquerda que tende a concentrar crenças políticas em um conjunto de posições mais estáveis e alinhadas entre si, aumentando a distância em relação ao eleitor médio.
Análise acadêmica sobre consistência ideológica
Um estudo publicado em 2023 por Adrian Lüders et al. analisou o grau de consistência ideológica entre pessoas identificadas como democratas e republicanos nos Estados Unidos.
O estudo registra, na passagem citada no material consultado, que: “os democratas (mais do que os republicanos) tendem a centrar fortemente seu sistema de crenças em torno de um conjunto de posições situadas nos extremos (…) o que implica que pessoas que se desviam dessas posições provavelmente serão consideradas membros de um grupo externo (…) Pode ser que sustentar atitudes extremas (e, portanto, inegociáveis) sobre questões sociopolíticas importantes tenha se tornado cada vez mais definidor da identidade para os democratas”.
Essa descrição reforça a ideia de que a identidade partidária, para parte da esquerda, tem sido ligada a um conjunto de posições rígidas e padronizadas.
Implicações para o debate público e respostas
Segundo as fontes, a consequência direta é um aumento do acirramento e da hostilidade no debate público, alimentado por setores da esquerda que, ao se tornarem mais fanatizados, tendem a reduzir a tolerância a dissensos internos.
Os autores citados argumentam que muitos analistas, na busca por neutralidade, acabam tratando esquerda e direita como simétricas, quando as evidências empíricas apontam trajetórias diferentes, com a esquerda movendo-se em direção a posições mais autoritárias e intervencionistas em uma série de pautas.
Críticos desse diagnóstico lembram que movimentos e contextos são distintos entre países e que expandir conclusões dos EUA para outros lugares exige cautela, porém as pesquisas citadas oferecem um quadro consistente sobre mudanças internas ao campo progressista nos últimos anos.
Ao longo do texto, a expressão A esquerda é o problema foi utilizada como palavra-chave para sintetizar a tese central das análises citadas, que atribuem à radicalização da esquerda uma parcela importante da polarização atual.