Ato convocado por Nikolas Ferreira levou multidões à Paulista, Copacabana, Praça da Liberdade e Farol da Barra, com líderes do PL pedindo anistia e criticando ministros do STF
A mobilização do “Acorda, Brasil” reuniu, neste domingo, manifestantes em pelo menos oito capitais, com presença de parlamentares e líderes do campo de direita.
As concentrações ocorreram desde a manhã em pontos como a Avenida Paulista, Copacabana, Praça da Liberdade e o Farol da Barra, e foram marcadas por discursos em defesa de anistia aos condenados pelo dia 8 de janeiro, críticas ao governo Lula e pedidos contra ministros do STF.
Conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.
Onde e como as manifestações aconteceram
Em São Paulo, a concentração na Avenida Paulista começou pouco antes do meio dia e se estendeu até por volta das 17h, segundo relatos das manifestações.
O carro de som chamado “Avassalador” reuniu autoridades do PL, e a chegada de lideranças ocorreu ao longo da tarde, com a entrada de nomes que buscaram dialogar com os apoiadores no local.
No Rio de Janeiro, a mobilização se concentrou em frente ao posto 5, em Copacabana, atraindo milhares de pessoas no final da manhã. Em Brasília, o encontro ocorreu em frente ao Museu da República.
Discursos, mensagens e citações
O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL, exaltou a mobilização em São Paulo, e comparou a gestão do pai com a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Em seu discurso, ele afirmou que, no governo anterior, “o governo lutava pela liberdade de pensamento dentro de sala de aula” e que o ex-presidente “estendia a mão para as pessoas que mais precisavam“.
Sobre o projeto da dosimetria das penas relacionado aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, Flávio disse que “esse primeiro passo vai ser dado em breve” e que muitas pessoas “vão poder ir para suas casas“. A oposição busca derrubar o veto presidencial ao texto no Congresso Nacional.
Ao defender Jair Bolsonaro, o senador disse que o ex-presidente está “mais vivo do que nunca” e que “nunca desistiu do nosso Brasil“, e projetou: “Em janeiro de 2027 você vai subir aquela rampa do Planalto junto com o povo brasileiro”.
O deputado Nikolas Ferreira, organizador das manifestações, adotou tom mais duro contra o STF e líderes do governo, defendendo o pedido de “fora Lula, fora Moraes e fora Toffoli“.
Em fala inflamado, Nikolas afirmou, em referência ao ministro Alexandre de Moraes, “O destino final do Alexandre de Moraes não é o Impeachment, é cadeia. Moraes, eu não tenho medo de você. Nós não temos medo de você“. Ele também criticou Toffoli ao dizer que “Foi ele que iniciou o inquérito das fake news“.
No carro de som em Copacabana, o deputado Carlos Jordy escreveu no X: “Fora Lula, Moraes e Toffoli! CPMI do Banco Master! Anistia já! Bolsonaro livre!“.
Pautas e símbolos das manifestações
As faixas e discursos reuniram pautas variadas, entre pedidos de anistia para os condenados de 8 de janeiro, a derrubada do veto à dosimetria, impeachment de ministros do STF, críticas ao governo Lula e defesa de medidas contra corrupção e aumento de impostos.
Nas manifestações, reapareceu a tradição dos bonecos infláveis. Uma versão do Pixuleco com Bolsonaro censurado, com a inscrição “Falem por mim!” na boca, foi exibida pelos apoiadores como símbolo de censura, enquanto a multidão usou as cores verde e amarela da bandeira.
Em Belo Horizonte, Nikolas reuniu manifestantes na Praça da Liberdade e reuniu o governador Romeu Zema, que apareceu em tom amistoso, com Nikolas afirmando que estava “faltando um trem” e escrevendo, em caneta vermelha, o lema “Acorda, Brasil!” na camiseta do governador.
Repercussão política e papel na pré-campanha
A mobilização ocorre em um contexto de reorganização do campo conservador e de movimentações pré-eleitorais, com a intenção de fortalecer candidaturas e testar narrativas.
Organizadores e aliados do PL trataram o ato também como vitrine para a pré-campanha de Flávio Bolsonaro, escolhido por Jair Bolsonaro como candidato do partido ao Planalto.
Para analistas, manifestações como o “Acorda, Brasil” funcionam como um termômetro de pautas que mobilizam a base, seja a defesa de anistia, seja críticas ao STF, ou a personificação em torno de Jair Bolsonaro.
O ato deixou claro o balanço entre posições mais moderadas no campo da direita e vozes mais radicais, enquanto líderes do PL procuraram evitar pautas que possam afastar eleitores de centro, e outros, como Nikolas, ampliaram ataques contra ministros do STF.
As manifestações do dia serviram para projetar mensagens e colocar em debate, nas ruas e nas redes, propostas centrais para a disputa política que se aproxima, com peso na cena nacional e reflexos nas estratégias eleitorais do campo conservador.