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Acordo nuclear Irã EUA: negociações em Genebra reativadas, ofertas econômicas e impasse sobre enriquecimento de urânio e mísseis

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Em nova rodada marcada para terça-feira em Genebra, negociações sobre o acordo nuclear Irã EUA abordam suspensão de sanções, retirada de urânio a 60% e propostas econômicas

O Irã confirmou uma segunda rodada de conversas com os Estados Unidos em Genebra, marcada para a próxima terça-feira, em continuidade às negociações indiretas que foram retomadas em Omã no início do mês.

Autoridades iranianas dizem estar dispostas a discutir compromissos sobre o programa nuclear, desde que os Estados Unidos também falem sobre a suspensão das sanções, e ao mesmo tempo mantêm posição firme sobre o direito ao enriquecimento de urânio.

As informações constam em reportagens sobre as declarações de membros da delegação iraniana, conforme informações divulgadas pela Gazeta do Povo.

Pontos centrais do encontro

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Majid Takht-Ravanchi, afirmou que, na visão iraniana, “a bola está no campo dos EUA”, e que, “se forem sinceros”, um acordo poderá ser alcançado. Ele ressaltou que, “Se o objetivo é um acordo, é preciso se concentrar na questão nuclear”.

Takht-Ravanchi descartou a exigência americana de enriquecimento zero no Irã, classificando a suspensão total do enriquecimento como uma “linha vermelha” e como uma violação dos direitos previstos no Tratado de Não Proliferação Nuclear, segundo as declarações divulgadas pela imprensa.

Entre os pontos técnicos, há menção a mais de 400 quilos de urânio enriquecido a 60%, material que está “muito próximo dos 90% necessários para uso militar”, de acordo com as fontes citadas. O vice-ministro afirmou que “ainda é cedo para dizer o que acontecerá no decorrer das negociações” sobre a possível retirada ou diluição desse estoque.

Propostas econômicas e exigências iranianas

Do lado econômico, o Irã quer garantias concretas, com benefícios reais e acessíveis, e não medidas simbólicas. O vice-ministro Hamid Ghanbari disse que, “Para garantir que um acordo seja sustentável, os EUA devem se beneficiar de setores econômicos iranianos de alto rendimento e rápido retorno”, conforme noticiado.

Entre as áreas citadas como possíveis inclusões em um pacote de compensações, aparecem petróleo e gás, investimentos em mineração e até a compra de aeronaves americanas. Ghanbari também destacou que os ativos iranianos bloqueados no exterior devem ser liberados, “deve ser real e utilizável, não meramente simbólica ou temporária”.

Impasses sobre mísseis e segurança regional

Além das divergências nucleares, Teerã mantém oposição a discutir seu programa de mísseis balísticos, que considera parte de sua capacidade defensiva. Takht-Ravanchi afirmou que, após ataques que atingiram o país, foram os mísseis que ajudaram o Irã, e que não podem aceitar ficar privados dessa capacidade.

O apoio iraniano a grupos regionais, como o Hezbollah e o Hamas, também segue como ponto de atrito com Washington, que busca limitar essa influência. Esses temas aumentam a complexidade de qualquer potencial acordo, mesmo com as conversas sobre o programa nuclear em primeiro plano.

Contexto geopolítico e próximos passos

O anúncio da nova rodada ocorre em meio a pressões externas, incluindo declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, que afirmou que uma mudança de regime no Irã seria “a melhor coisa que poderia acontecer”, e informou o envio de um segundo porta-aviões ao Oriente Médio como sinal de pressão.

Autoridades americanas dizem preferir uma solução diplomática, embora a administração tenha ameaçado ações militares caso não se alcance um acordo satisfatório. As negociações indiretas, mediadas por Omã desde 6 de fevereiro, foram descritas por ambos os lados como “boas”, com compromisso de novos encontros em breve.

Em Genebra, a rodada marcada para terça-feira vai testar se há margem para um entendimento que combine restrições verificáveis ao programa nuclear iraniano, liberação de ativos e alívio das sanções, enquanto lida com as demandas sobre mísseis e influência regional.

Analistas apontam que a oferta iraniana de discutir medidas nucleares, sem aceitar o fim do enriquecimento, e a proposta de dar benefícios econômicos concretos aos EUA, colocam sobre a mesa alternativas que podem viabilizar um acordo se houver reciprocidade clara em relação às sanções.

O desfecho dependerá, segundo as próprias declarações iranianas, da postura norte-americana nos próximos dias, e de até que ponto os dois lados estarão dispostos a fazer concessões que conciliem segurança, direitos nucleares civis e interesses econômicos.

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