Pré-candidatura Aldo Rebelo pela Democracia Cristã promete recuperar uso de recursos naturais na Amazônia, questiona burocracia ambiental, e acusa o STF de gerar insegurança institucional
A Democracia Cristã lançou a pré-candidatura do ex-deputado e ex-ministro Aldo Rebelo à Presidência durante evento em São Paulo. No discurso, ele centrou críticas nas barreiras ao aproveitamento dos recursos naturais e na atuação de órgãos ambientais e ONGs. A declaração também focou ataques ao Supremo Tribunal Federal, que, segundo ele, teria extrapolado suas funções institucionais.
Rebelo, que ocupou ministérios nos governos Lula e Dilma e depois migrou para a direita, defende uma agenda voltada à soberania nacional, com ênfase na exploração mineral e no papel da agroindústria como motor econômico. O pré-candidato afirmou repetidamente que o país está sendo impedido de usar suas riquezas.
As informações sobre o lançamento e as declarações foram divulgadas pelo partido durante o evento, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.
Amazônia, recursos naturais e críticas às ONGs
Rebelo disse que é necessário “recuperar a capacidade de usufruir das próprias riquezas, principalmente na região amazônica”, e que “Nós temos a Amazônia bloqueada e congelada”. Ele citou a liderança brasileira na produção de terras raras, ao lado da China, para reforçar que o país não é pobre, “O Brasil não é um país pobre. O Brasil é um país bloqueado, um país interditado, onde a ideologia do veto é a que prevalece”, argumentou.
Ao abordar a atuação de órgãos como a Funai, o pré-candidato afirmou que demarcações e unidades de conservação estariam impedindo a produção agrícola e mineral na Região Norte, “A Funai demarca uma terra indígena, onde não tem índios. Em área para agricultura, eles fazem uma Unidade de Conservação. […] Em que lugar do mundo você persegue quem produz comida?”, questionou.
Economia, agroindústria e o alerta sobre desindustrialização
Na avaliação de Rebelo, a economia brasileira sofre um processo de desindustrialização, e a agropecuária mantém o país de pé. Ele ressaltou a importância da agroindústria para gerar empregos urbanos e criticou a falta de políticas públicas para o desenvolvimento do setor industrial.
O discurso busca vincular a agenda do partido à retomada do crescimento pela exploração de recursos e pelo fortalecimento da cadeia produtiva agrícola, apontando entraves burocráticos como fator que freia investimentos e produção.
Críticas ao STF e a ideia de insegurança institucional
Rebelo voltou a criticar a Corte ao dizer que o “desequilíbrio do STF” provoca uma grave insegurança institucional. Segundo ele, “Existe uma anarquia institucional quando existem duas regras diferentes, de dois poderes institucionais”. O pré-candidato citou decisões que, em sua visão, teriam interferido nas nomeações e em medidas aprovadas pelo Congresso.
Ele afirmou ainda que “O Supremo não pode ser um poder acima dos demais. […] O protagonismo político saiu do Congresso, saiu das ruas e foi para o salão onde o Supremo Tribunal despacha, passando a ter 11 constituições andando pelo país. Cada ministro é uma constituição, ele decide e interpreta”, para ilustrar a crítica ao que considera ativismo judicial.
Trajetória política e próximos passos da pré-candidatura
Aldo Rebelo migrou de PDT para MDB enquanto atuava na gestão municipal de São Paulo e, no ano passado, filiou-se à Democracia Cristã, partido que confirmou sua pré-candidatura após o afastamento do ex-presidente da sigla José Maria Eymael. O lançamento ocorreu em evento em São Paulo, e a sigla passa a articular posições e agenda para a corrida presidencial.
Nos próximos meses, a pré-candidatura Aldo Rebelo deverá intensificar a divulgação de propostas sobre Amazônia, indústria e segurança institucional, com vistas a captar apoio entre eleitores conservadores e setores produtivos que reivindicam menos restrições à exploração de recursos.