Entenda o papel de Ali Khamenei no Irã, como o líder supremo concentra poder político, religioso e militar, e por que o regime dos aiatolás tensiona o Ocidente
Ali Khamenei é o homem mais poderoso do Irã e, em um governo de 35 anos, o mais longevo chefe de Estado no Oriente Médio.
Seu cargo de líder supremo lhe dá autoridade sobre decisões políticas, religiosas e militares, e o coloca acima do presidente e de outras instituições formais.
Nos últimos dias, ele foi apontado como um dos alvos de um ataque conjunto americano e israelense, sem confirmação de ferimentos, e autoridades afirmam ter matado o ministro da Defesa, Amir Nasirzadeh, e o comandante da Guarda Revolucionária, Mohammed Pakpour, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.
Ascensão de Ali Khamenei e a herança de Khomeini
Nascido em Mashhad, no leste do Irã, Ali Khamenei iniciou seus estudos religiosos e políticos na década de 1960, influenciado pelo pensamento do aiatolá Ruhollah Khomeini.
Após a Revolução Islâmica de 1979, que derrubou o xá Reza Pahlavi e implantou o regime dos aiatolás, Khamenei subiu na hierarquia clerical e política.
Em 1980, Khomeini escolheu Khamenei como imã da oração de sexta-feira em Teerã, e em 1981 ele foi eleito presidente do país, aos 42 anos, tornando-se o primeiro clérigo a ocupar a Presidência em uma eleição considerada de fachada.
Como Khamenei se tornou líder supremo e o alcance do cargo
Com a morte de Khomeini, em 1989, a Assembleia dos Peritos escolheu Khamenei para ser o novo líder supremo.
Na época, ele não tinha o grau de marja, exigido para alguns aiatolás, e a Constituição foi alterada para permitir sua ascensão, em uma manobra política que consolidou seu poder.
O posto de líder supremo é vitalício e coloca Khamenei como chefe de Estado, autoridade religiosa máxima e comandante-chefe das Forças Armadas, com prerrogativas sobre segurança, defesa e política externa.
Estrutura do regime dos aiatolás e os órgãos de controle
No Irã, as instituições dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário são mediadas por órgãos que ligam Estado e Religião, e que garantem a prevalência da lei islâmica.
O Conselho dos Guardiões, formado por 12 membros, seis clérigos e seis juristas, é uma das peças centrais, com poder para avaliar e vetar leis do Parlamento quando contrárias à Constituição ou à sharia.
Os clérigos do Conselho passam por avaliação do próprio líder supremo, e os juristas são nomeados pelo presidente do Judiciário, o que reforça a interdependência entre instituições religiosas e estatais.
Guarda Revolucionária, política externa e questões que tornam Khamenei alvo
A Guarda Revolucionária, ou IRGC, é uma força militar de elite criada na revolução, que atua internamente e externamente e responde diretamente ao líder supremo.
O patrocínio a grupos como o Hamas, a retórica anti-Ocidente e anti-Israel e o programa nuclear iraniano são aspectos da política externa que tornam o regime alvo de pressões e ações militares.
Durante seu governo, herdado de Khomeini, Khamenei manteve tomada de decisões que incluem apoio a milícias na região e uma postura confrontadora, fatores citados por nações ocidentais como motivos para ataques contra figuras e instalações iranianas.
O papel do presidente e os limites do poder formal
O presidente do Irã é o segundo cargo mais importante na Constituição, com mandato de quatro anos, e tem foco em políticas internas, especialmente economia.
Na prática, porém, o poder do presidente é limitado pelo líder supremo e pelos órgãos clericais, que supervisionam nomeações, legislação e diretrizes de segurança.
Esse arranjo faz com que decisões cruciais sobre defesa e política externa permaneçam sob controle direto de Ali Khamenei e do aparato religioso-militar que sustenta o regime dos aiatolás.