Novo ataque com mísseis e cerca de 400 drones danifica redes de água e calefação, agravando o apagão na Ucrânia em várias províncias antes das negociações em Genebra
Um novo ataque russo atingiu múltiplas infraestruturas energéticas e de abastecimento, deixando milhares sem eletricidade em pleno inverno, e elevando o risco humanitário em áreas já afetadas pelo conflito.
Parte da população depende de pontos de distribuição de alimentos e de aquecimento improvisado, enquanto equipes tentam reparar linhas e centrais danificadas sob risco de novos ataques.
As informações sobre alvos, números de vítimas e alcance dos danos foram registradas por agências de notícias e relatadas à imprensa, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.
O ataque e a dimensão dos danos
Parte da onda de trinta mísseis e quase 400 drones conseguiu furar as defesas ucranianas, provocando danos significativos em estruturas de fornecimento de água e calefação, num dos invernos mais rigorosos dos últimos anos.
Como consequência, milhares de moradores ficaram sem energia elétrica em oito diferentes regiões do país, segundo relatos das autoridades locais.
Vítimas e incidentes em Donetsk
Pelo menos seis civis morreram nos ataques, em dois incidentes separados na região ucraniana de Donetsk.
Três trabalhadores foram atingidos enquanto tentavam reparar uma central elétrica na cidade de Sloviansk, e as outras três mortes foram de civis dentro de um carro atingido por drone russo em Kramatorsk.
As cidades de Kramatorsk e Sloviansk são as maiores da província invadida pela Rússia, mas ainda sob controle parcial de Kiev, e os russos controlam atualmente mais de três quartos da região de Donetski.
Negociações em Genebra e posições de Kiev e Moscou
Representantes da Ucrânia e da Rússia retomaram negociações de paz em Genebra, em um encontro de dois dias mediado por autoridades americanas.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, advertiu que a diplomacia não funcionará sem novas medidas punitivas à Rússia, e o primeiro dia discutiu aspectos políticos do conflito, com a agenda militar prevista para o segundo dia.
Starlink, eletrônica de guerra e declarações russas
Em outra frente, o vice-ministro russo da Defesa, Alexei Krivoruchko, negou que o bloqueio do sinal dos satélites Starlink tenha diminuído a eficiência dos drones russos.
Krivoruchko afirmou que o acesso à Starlink não era generalizado no campo de batalha e só ocorria para “despistar o inimigo“, e que “o pessoal do posto de comando está equipado com todos os serviços de comunicação modernos, de fabricação nacional“, segundo declaração traduzida das autoridades russas.
Por sua vez, autoridades ucranianas aplicaram filtros à conexão Starlink há cerca de duas semanas, com a justificativa de reduzir o uso do serviço por operadores russos, mas o impacto real sobre a capacidade de ataque ainda é objeto de debate.
Riscos humanitários e próximos passos
Com sistemas de calefação e abastecimento de água comprometidos, a temporada de inverno eleva o risco para idosos, crianças e famílias em áreas sem eletricidade.
Equipes de reparo trabalham sob fogo e enfrentam dificuldades logísticas, enquanto a comunidade internacional acompanha as negociações em Genebra, e autoridades ucranianas pedem pressão adicional sobre a Rússia para proteger civis e infraestrutura.