HomeBlogBanco Central sufocando o Brasil? Juros a 15%, taxa real perto de...

Banco Central sufocando o Brasil? Juros a 15%, taxa real perto de 10,3% e perda de mais de 600 mil empregos pressionam atividade e renda

Data:

Posts Relacionados

Taxa Selic em 15%, a taxa real próxima de 10,3% e dados do mercado de trabalho e do IBC-Br acendem o debate sobre se o Banco Central está, de fato, sufocando a economia

A desaceleração da economia ganhou sinais mais claros no fechamento do ano, com indicadores de emprego e atividade apontando arrefecimento.

O mercado financeiro segue aquecido, mas a classe média e a indústria sentem o aperto do custo do crédito e da queda da atividade.

Os dados citados nesta reportagem foram publicados em levantamento e reportagem da Gazeta do Povo, com base em informações do Ministério do Trabalho e do Banco Central, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.

Emprego e atividade em queda

Segundo o Ministério do Trabalho, foram destruídos mais de 600 mil empregos com carteira assinada no fechamento de dezembro, uma perda não vista desde a pandemia.

A região Sul apresentou a maior variação, com perda relativa similar à do estado do Paraná, de -1,52%, ficando atrás apenas de Mato Grosso, Santa Catarina, Tocantins e Mato Grosso do Sul.

O IBC-Br, índice do Banco Central que mede a atividade econômica, recuou para o menor patamar de crescimento interanual desde fevereiro de 2022, outro sinal de desaceleração que já vinha sendo observado.

Juros, taxa real e impacto na indústria

O Brasil opera com uma das taxas básicas de juros mais altas do planeta, a Selic em 15% ao ano, ficando atrás apenas de Turquia, Argentina e Rússia, que terminaram 2025 em 37%, 29% e 16%, respectivamente.

Ao descontar a inflação medida pelo IPCA acumulado em 12 meses, a taxa real encontra-se na casa dos dois dígitos, próxima de 10,3% ao ano, o que eleva o custo do crédito e prejudica investimentos industriais.

Na prática, para a indústria e para empresas que dependem de capital, operar com uma taxa real tão elevada torna a retomada mais difícil, e o IBC-Br do setor já mostra recuo interanual desde setembro.

Decisão do Copom e justificativas

O Comitê de Política Monetária do Banco Central, o Copom, reuniu-se no dia 28 de janeiro e decidiu, por unanimidade, pela manutenção da taxa Selic.

No comunicado, o comitê afirmou, textual, que “entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta”.

O comunicado também sustentou que “essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego”.

Apesar disso, a inflação corrente já se encontra abaixo do teto da meta, e as expectativas projetadas estão, segundo o próprio Banco Central, em (4%, 3,8%, 3,5% e 3,5%, respectivamente, para 2026, 2027, 2028 e 2029), o que alimenta a discussão sobre o grau de aperto monetário necessário.

Quem ganha e quem perde

Enquanto o aperto monetário pressiona consumo e emprego, o investidor tem colhido bons resultados: o mercado de ações, que subiu 33% no ano passado, avançou mais 12% no primeiro mês de 2026.

No outro lado, a classe média enfrenta recorde de endividamento em um ambiente de juros persistentemente elevados, o que reduz consumo e eleva o risco de inadimplência.

Em comentário presente na fonte, Raphael Cordeiro, diretor de Investimentos da Zelen Family Office, escritor e professor de pós-graduação da PUC-PR, é formado em Administração, com MBA em Finanças Pessoais, ilustra o contraste entre ganhos financeiros e aperto econômico para famílias.

O dilema é claro, a estratégia do Banco Central busca garantir a convergência da inflação, mas os efeitos sobre emprego, indústria e renda geram dúvidas sobre até que ponto a manutenção de juros elevados é compatível com a recuperação ampla da economia.

Recentes

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

O Informativo Brasil
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.