Beyoncé em Salvador ganhou sessão que virou celebração no Centro de Convenções, com fornecedores locais e liderança de mulheres negras, segundo Potyra Lavor
Um convite inesperado levou a equipe da IDW Company a preparar em tempo recorde a versão brasileira do Club Renaissance de Beyoncé, transformando uma sessão de cinema em evento para milhares.
A montagem foi feita em quatro dias, e a apresentação reuniu cerca de 3 mil pessoas no Centro de Convenções de Salvador, atraindo fãs de diferentes regiões do país.
A sócia da IDW, Potyra Lavor, destaca o protagonismo feminino e negro na produção, e lamenta não ter registrado os bastidores dessa operação intensa e simbólica.
Conforme informação divulgada por Potyra Lavor ao Divã de CNPJ.
Convite relâmpago e produção em quatro dias
A ideia nasceu enquanto a equipe da IDW se preparava para conhecer o festival Piscina, em Belém do Pará, quando a Parkwood, empresa de Beyoncé, e a TV Globo convidaram a produtora para executar o Club Renaissance em Salvador apenas uma semana antes da festa.
Segundo Potyra, o plano inicial era uma sessão de cinema, mas a proposta cresceu e se transformou numa celebração para cerca de 3 mil pessoas. Na memória da equipe ficou a pergunta que resumiu o espanto do início do processo, "É pra entregar pipoca pra Beyoncé?", e a necessidade de agir com rapidez.
Fornecedores locais e protagonismo negro
Do conceito à execução, a IDW priorizou mão de obra e parceiros locais, com foco em empresas da cidade e da Bahia. Na avaliação de Potyra, houve uma seleção intencional: "Fizemos uma seleção só com fornecedores e parceiros da cidade de Salvador, majoritariamente de donos de empresas, donas de empresas negras da cidade ou da Bahia. A dona do buffet, por exemplo, é do Recôncavo Baiano, e a gente entregou com excelência."
Para a produtora, essa escolha não foi estética, mas estratégica. Em regiões fora do eixo Rio, São Paulo, grandes projetos costumam chegar com equipes de fora, o que prejudica o desenvolvimento do mercado local, e por isso, como ela resume, "Em um mercado que não circula dinheiro ou quando chegam grandes projetos é todo mundo de fora, como é que você vai desenvolver o mercado?"
AFROPUNK, impacto econômico e relação com o governo
A experiência com o Club Renaissance se soma ao trabalho da IDW na vinda do festival AFROPUNK para Salvador, que a produtora posiciona como um dos principais eventos de música e estética negra no país.
Potyra afirma que o festival tem impacto econômico e social local expressivo, e traz o dado de que, "só na edição de 2025, o festival movimentou R$ 130 milhões em Salvador".
Apesar do resultado, a produtora relata uma tensão com as autoridades locais, e revela que "ainda temos uma ‘briga’ com o governo na Bahia, porque falta entendimento do que é a dimensão desse projeto que estamos fazendo lá. E não é que a gente dependa da verba pública, de maneira alguma, mas o governo precisa entrar com algo que seja justo a admissão desse projeto."
Na avaliação de Potyra, "Desde o início, posicionamos o AFROPUNK como um dos top 5 festivais do Brasil. Quando o mercado não entendia, quando o governo da Bahia não entendia, até hoje não entende", afirmando a necessidade de reconhecimento institucional para ampliar legado e oportunidades.
O que faltou e o legado de uma produção liderada por mulheres
Um ponto que marcou a equipe foi o arrependimento de não ter filmado os bastidores. Como disse Potyra, "Um grande arrependimento foi a gente não ter filmado esses bastidores, porque se os bastidores desse projeto, pra quem viveu, foi um grande filme de ação protagonizado por mulheres, mulheres negras, majoritariamente."
O episódio do Club Renaissance em Salvador reforça duas lições: a capacidade de respostas rápidas da cena cultural local, e a importância de valorizar fornecedores e líderes locais, especialmente mulheres negras, para que o impacto econômico e simbólico permaneça na cidade.
Para produtores e gestores culturais, o caso é também um alerta sobre documentação e comunicação de projetos que colocam Salvador no centro de grandes eventos, e sobre a necessidade de políticas públicas que reconheçam e estimulem esse tipo de produção.