Mercado corta estimativas para IPCA e Selic em 2026, revisa dólar para R$ 5,45, e aumenta projeção do PIB para 1,82%, confira os impactos e dados oficiais
O mercado financeiro revisou para baixo as projeções de inflação, juros e câmbio para 2026, enquanto ajustou para cima a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto, em sinal de melhora nas perspectivas macroeconômicas.
As mudanças aparecem no levantamento semanal do Boletim Focus, que reúne projeções de mais de cem instituições financeiras, e refletem leitura dos indicadores recentes e das sinalizações do Banco Central.
Nas novas medianas, há queda na estimativa do IPCA e do dólar, e um recuo gradual esperado para a Selic, além de pequeno avanço na projeção do PIB para este ano.
Conforme informação divulgada pelo Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central.
Inflação e metas
A mediana das projeções do Boletim Focus para o IPCA de 2026 recuou pela sétima semana seguida, de 3,95% para 3,91% ao ano. A estimativa para 2027 foi mantida em 3,80%. As projeções apontam para inflação abaixo do teto da meta do Banco Central, que é de 4,5%, e com alvo central de 3% ao ano, com faixas de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo. O indicador fechou 2025 em 4,26%, conforme os dados reportados.
Taxa básica de juros
Para a Selic em 2026, a mediana das estimativas passou de 12,25% para 12,13% ao ano, sendo esta a primeira redução após oito semanas de estabilidade nas projeções. Para 2027, a mediana segue em 10,50% ao ano, sem mudança em relação ao levantamento anterior. Atualmente, a Selic está em 15% ao ano, e a ata do Copom sinalizou que o Banco Central deve começar a cortar os juros a partir de março.
Dólar e crescimento do PIB
A projeção do mercado para a cotação do dólar no fim de 2026 foi revisada para baixo, de R$ 5,50 para R$ 5,45, marca que indica a primeira redução na estimativa da moeda em 19 semanas. Já a expectativa para o Produto Interno Bruto deste ano subiu levemente, de 1,80% para 1,82%, enquanto a projeção para 2027 foi mantida em 1,80%.
O que muda para famílias e empresas
Projeções menores para inflação e juros tendem a aliviar o custo do crédito ao longo do tempo e podem estimular consumo e investimentos, embora os efeitos dependam da velocidade dos cortes da Selic pelo Banco Central. A queda esperada do dólar reduz pressões sobre preços de itens importados, mas o cenário continua sujeito a choques externos e a dados econômicos futuros.
Leitura do mercado e próximos passos
O Boletim Focus reflete as expectativas de mais de cem instituições do setor financeiro, e suas medianas servem como termômetro para decisões de empresas e formuladores de política. Nos próximos meses, o mercado acompanhará a evolução da inflação, os sinais do Copom e indicadores de atividade para calibrar novas projeções.