Dólar cai a R$ 5,15 por volta das 13h, economia registra déficit de US$ 8,36 bilhões em janeiro e maior ingresso em carteira desde 2018 ajuda a sustentar a alta da Bolsa, segundo o Banco Central
O mercado financeiro abriu a terça-feira com viés positivo para ações e queda do câmbio, em reação à implementação de novas tarifas de importação dos Estados Unidos e à divulgação das contas externas pelo Banco Central.
Por volta das 13h a moeda americana era cotada no comercial para a venda a R$ 5,145, com variação de menos 0,44% ante o fechamento de ontem, enquanto o principal índice da Bolsa renovava recorde.
Os números das contas externas mostram redução do déficit e forte entrada de recursos em carteira, fatores que têm sustentado a apreciação local, conforme informação divulgada pelo UOL.
Câmbio, tarifas dos EUA e incertezas globais
A queda do dólar ocorreu mesmo com ambiente externo tenso, após entrar em vigor a nova tarifa de importação imposta pelos Estados Unidos, aplicada de forma linear a compras de todos os países.
Segundo documento do órgão de governo estadunidense Alfândega e Proteção de Fronteiras, a nova taxa é de 10%, inferior à taxa de 15% prometida por Donald Trump, e, segundo reportagens do Financial Times e da Reuters, o aumento para 15% virá mais tarde.
Na visão de Pedro Ros, CEO da Referência Capital, “O câmbio ainda reflete incertezas globais, e a postura seletiva do investidor estrangeiro.”
Bolsa em novo patamar recorde
O Ibovespa abriu em alta e chegou a registrar variação positiva de 1,24% às 13h, atingindo 191.191 pontos, renovando a última pontuação recorde, de 190.539 pontos, da sexta-feira passada.
Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, aponta que “A valorização do Ibovespa reflete um ambiente em que também o investidor local precifica cenário doméstico mais construtivo, com inflação em trajetória mais comportada e expectativa de avanço no ciclo de redução da Selic.”
Contas externas melhoram com IDP e carteira
O Banco Central informou que o Brasil teve déficit de US$ 8,36 bilhões na conta corrente em janeiro, menor que em igual mês de 2025, de US$ 9,8 bilhões.
A melhora foi apoiada no saldo de IDP, que cresceu 22,4%, a US$ 8,2 bilhões, enquanto o fluxo positivo em carteira registrou ingressos líquidos de US$ 8,9 bilhões, os maiores desde julho de 2018.
Com o desempenho de janeiro, o saldo negativo em transações correntes nos doze meses encerrados em janeiro de 2026 recuou para US$ 67,6 bilhões, o que representa 2,92% do Produto Interno Bruto, ante US$ 72,4 bilhões, 3,35% do PIB, em janeiro de 2025.
Rafael Perez, economista da Suno Research, afirmou que “Sobre o aumento da entrada em carteira e do IDP, que melhorou bastante nos últimos tempos, temos observado que o Brasil se tornou mais atrativo para os fluxos estrangeiros. Isso ocorre, em grande parte, por conta de um cenário global de diversificação em relação aos Estados Unidos, o que tem beneficiado diversos países emergentes, e o Brasil, em especial.”
Luiza Pinese, economista da XP, acrescentou que “Esperamos que as entradas de IDP permaneçam robustas. Estimamos entradas líquidas de US$ 75 bilhões, ou 3,0% do PIB, sustentadas pela atratividade do Brasil em infraestrutura de data centers e minerais críticos. Esses fluxos devem continuar proporcionando algum alívio às contas externas.”
Commodities e riscos geopolíticos
Os mercados seguem monitorando a tensão no Oriente Médio, com negociação entre Estados Unidos e Irã sobre o programa nuclear e manobras militares no Golfo, o que mantém atenção sobre petróleo e metais.
Por volta das 13h, o contrato Brent para abril cedia 0,5% a US$ 70,76, enquanto o WTI para abril recuava 0,7% a US$ 65,88 o barril, e o ouro para abril operava em baixa, cedendo 1,1% a US$ 5.166 por 100 onças troy.
O conjunto das informações locais e externas, incluindo a leitura do fluxo de capitais e as medidas comerciais dos EUA, tem orientado a entrada e saída de recursos, e reforçado a atenção dos investidores, tanto estrangeiros quanto locais, para os próximos dados econômicos e declarações oficiais.