Perda de controle fiscal pode elevar dívida a 90% do PIB em 2027–28, Copom planeja cortes em 2026, e o próximo presidente herda a necessidade de um ajuste fiscal crível
O Brasil vive hoje uma aparente calmaria econômica, com indicadores de curto prazo abrindo espaço para cortes de juros a partir do início de 2026.
Ao mesmo tempo, a trajetória das contas públicas projeta um choque fiscal iminente, que pode elevar a dívida a níveis incompatíveis com o crescimento baixo do país.
O ajuste fiscal se apresenta, portanto, como uma escolha política decisiva, com impacto direto sobre emprego, serviços e investimento, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.
Dívida pública e a corrida até 2027
Segundo o artigo de Alexandre Mathias, estrategista-chefe da Monte Bravo, “a dívida do Brasil ultrapassará 90% do PIB em 2027–28” se a política fiscal permanecer sem ajustes. A manutenção de déficits primários próximos de 1% do PIB, afirma o autor, fará com que a relação dívida/PIB sofra “um salto de 13 p.p. até 2026”, pressionando prazos e custos da dívida.
O cenário descrito torna claro que o próximo presidente herdará um desafio de grande magnitude, que exigirá diagnóstico técnico, vontade política e capacidade de articulação entre Executivo, Legislativo e Judiciário.
Monetária e expectativas, o papel da Selic
No front monetário, a combinação de queda projetada da inflação com a Selic em 15% gera um efeito de aperto real, conforme o texto. Por isso, a avaliação é de que “o Copom iniciará o ciclo de cortes em janeiro de 2026, com 50 pontos-base, conduzindo a Selic para um patamar entre 10% e 11% no fim de 2026”.
Mesmo assim, Alexandre Mathias ressalta que apenas a acomodação monetária não resolve a tensão fiscal. O autor lembra que “taxas longas marcaram 5,32% em 2023” antes de mudanças nas metas e exclusões de despesas das contas públicas, indicando que confiança fiscal é determinante para reduzir juros de forma sustentável.
Eleições, câmbio e o imperativo do ajuste fiscal
No campo externo, a queda das taxas globais e menor volatilidade nas Treasuries ampliaram apetite a risco e trouxeram fluxos, cenário que poderia valorizar o real. Ainda assim, o prêmio de risco limita ganhos, e a projeção citada no texto é que “o dólar encerre o ano próximo de R$ 5,50”, pressionado por remessas e déficits gêmeos.
Para estabilizar a dívida, o autor afirma que “Um ajuste crível pode trazer os juros para perto de 5%, viabilizando a estabilidade da dívida com um superávit primário de 2% do PIB”. Essa meta demanda medidas que combinem responsabilidade fiscal com arranjos políticos capazes de construir legitimidade social.
Nos próximos meses, a liquidez global pode mitigar riscos, mas, com a intensificação da campanha eleitoral, a política fiscal deverá assumir papel central na formação dos preços dos ativos, reduzindo a correlação com o ciclo externo.
Em resumo, a realidade fiscal impõe ao país uma encruzilhada: sem um ajuste crível antes de 2027, o Brasil corre o risco de reviver crises passadas e limitar seu crescimento futuro.