Recrutar espiões na China, segundo o vídeo divulgado em chinês pela CIA, envolve uso de navegadores como Tor, conexões por VPN, computadores públicos e limpeza de histórico
A Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos publicou um vídeo em sua página na rede social X com instruções, em língua chinesa, para que cidadãos da China entrem em contato com a agência de forma segura e secreta.
No post, a CIA apresenta, em chinês, “os passos completos para um contato seguro“, e diz que procura pessoas com informações relevantes que possam repassá‑las.”, o vídeo detalha ferramentas e cuidados técnicos para proteger potenciais informantes.
As orientações incluem o uso de computadores e celulares públicos, navegadores como o Tor, conexões por VPN, modos de navegação privada e a recomendação de evitar dispositivos pessoais, limpar históricos e acessar canais específicos, incluindo endereços na dark web, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.
O que o vídeo orienta na prática
Segundo o material divulgado, a CIA instrui potenciais informantes a não usarem aparelhos pessoais, a preferirem equipamentos públicos para reduzir rastreamento e a adotarem camadas de anonimato tecnológicas. O conteúdo afirma que a agência “quer saber a verdade sobre a China” e busca pessoas que tenham “informações relevantes e possam repassá‑las“.
Reação de Pequim e antecedentes
Em resposta a ações semelhantes, a China já criticou vídeos da CIA no passado. Em maio do ano passado, Pequim condenou material da agência que visava recrutar informantes, qualificando a iniciativa como uma “provocação política aberta“, segundo declarações do porta‑voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, reproduzidas pela agência AFP.
Riscos e implicações para informantes
Especialistas em segurança alertam que, apesar das orientações técnicas, pessoas que tentem contatar serviços de inteligência podem sofrer riscos legais e de segurança no país, incluindo investigação por parte das autoridades chinesas. O uso de ferramentas como Tor e VPN pode reduzir a exposição, mas não elimina totalmente o perigo.
Contexto geopolítico
O episódio ocorre em meio a tensões crescentes entre Washington e Pequim, com ações de coleta de informação e contra‑inteligência ganhando destaque. A divulgação pública de procedimentos para contato adiciona uma dimensão simbólica, ao mesmo tempo em que acende alertas diplomáticos entre os dois países.