Facção envia ‘salve’ proibindo confrontos entre organizadas, determina fechamento de lojas e proíbe camisas nas ruas, enquanto MP-CE e polícia investigam e monitoram
Nos dias que seguiram ao clássico entre Ceará e Fortaleza, uma mensagem atribuída a lideranças do Comando Vermelho passou a circular em grupos de aplicativos no estado, com ordens diretas para deter as brigas entre torcidas organizadas.
O recado, segundo informações, proíbe confrontos, exige o fechamento de sedes e lojas e pede a renúncia de presidentes das organizadas envolvidas nas lutas nas ruas de Fortaleza.
As cenas de violência, com ataques em ao menos quatro bairros e no entorno do Castelão, geraram uma resposta ampla de autoridades e uma investigação em curso.
conforme informações divulgadas pela Gazeta do Povo.
O teor do ‘salve’ atribuído ao Comando Vermelho
Em mensagens que circulam em grupos, aparece a orientação, entre outras passagens, “Passando para comunicar a todos os componentes de torcidas organizadas que brigas de torcidas estão totalmente brecadas dentro do estado!”.
O texto atribuído à facção continua afirmando que a ordem começa em 9/2/2026, não tem data para acabar, e que quem descumprir será “severamente cobrado, Assinado: Comando Vermelho do Ceará”.
Além da proibição dos confrontos, outra instrução no material atribuído ao grupo pede o fechamento das sedes e lojas das quatro organizadas envolvidas e proíbe o uso de camisetas e símbolos das torcidas nas ruas do estado.
Repressão policial e números das prisões
Imagens e relatos de emboscadas e selvageria circularam nas redes sociais após o empate sem gols no clássico, com cenas de agressões a socos, pedras e pedaços de madeira e uso de bombas de efeito moral pela polícia para dispersar grupos.
Em consequência dos confrontos, houve grande atuação policial em diversos bairros e apreensões de materiais. Sobre os números, a reportagem registra trechos específicos das apurações, com dados das forças de segurança.
“Pelo menos 360 pessoas foram presas ou detidas pela PM no dia da confusão, entre adultos e menores de idade. Os torcedores foram presos por associação criminosa, corrupção de menores, lesão corporal, desacato, desobediência, resistência e tumulto.”
Em ocorrência destacada no Bairro Edson Queiroz, as forças policiais informaram que “Em uma das ocorrências, registrada no Bairro Edson Queiroz, equipes do Comando de Policiamento de Rondas de Ações Intensivas e Ostensivas (CPRaio) capturaram 184 pessoas, 103 adultos e 81 adolescentes, integrantes de ambas as torcidas. Ainda foram apreendidas bombas caseiras, entorpecentes, porretes e telefones celulares usados para registrar os conflitos.”
As prisões e apreensões motivaram encaminhamentos à Delegacia de Combate às Ações Criminosas Organizadas e atendimento a vítimas com ferimentos graves em hospitais da cidade.
Medidas do Ministério Público e investigações em curso
Como resposta preventiva, o Ministério Público do Ceará suspendeu as quatro principais torcidas organizadas envolvidas por cinco jogos, com objetivo de coibir novas ocorrências e reforçar a segurança em eventos esportivos.
O MP-CE informou que a medida tem caráter preventivo e educativo, e alertou que a reincidência poderá resultar em sanções mais rigorosas, incluindo o banimento dos estádios por período indeterminado.
O próprio Ministério Público, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas, Gaeco, e do Núcleo do Desporto e Defesa do Torcedor, Nudetor, confirmou que investiga a veracidade dos “salves” e acompanha os fatos.
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social informou que a Polícia Civil apura todas as informações de ações criminosas que chegam ao conhecimento das autoridades e que os setores de Inteligência das forças de segurança auxiliam os trabalhos. Relatos noticiados apontam que serviços de Inteligência dos órgãos confirmaram a veracidade das mensagens e mantêm o monitoramento, conforme apuração do Diário do Nordeste.
Desdobramentos e implicações
Os pedidos de renúncia dos presidentes das torcidas e o fechamento de sedes provocaram movimentação nas redes sociais e a saída dos líderes em vídeos publicados nas plataformas, sem menção direta às ordens atribuídas à facção.
Autoridades afirmam que a atuação de organizações criminosas que tentam controlar conflitos entre torcidas é um problema que amplia os riscos para moradores de comunidades e para a segurança pública, ao mesmo tempo em que dificulta a livre organização de torcedores.
As investigações continuam e promotores, policiais e inteligência estatal mantêm ações para confirmar a origem das mensagens, responsabilizar envolvidos nas agressões e prevenir novas ocorrências nos próximos jogos.