Por que a defesa de ditaduras pela esquerda não se reduz a postura ética, mas traduz convergência de interesses econômicos, militares e criminais que mantiveram o regime chavista
Interesses não são desvios, são motores da ação humana e estatal, na psicologia, na economia e na ciência política, e organizam decisões coletivas e institucionais.
No caso venezuelano, a defesa de ditaduras produziu uma rede de alinhamentos externos e internos, entre potências, Estados e organizações criminosas, que sustentou o colapso do país.
Os detalhes dessa convergência, e as ações recentes dos Estados Unidos para desmontá‑la, foram relatados em reportagem recente, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.
Interesses externos e recursos estratégicos
A geopolítica por trás da defesa de ditaduras inclui oferta e demanda por recursos, rotas logísticas e influência regional. A matéria registra que a China despejou até 70 bilhões de dólares em acordos de “petróleo por dinheiro”, garantindo acesso a óleo pesado com desconto e proteção de ativos.
Além do petróleo, entraram em jogo coltan, ouro, bauxita, terras raras e posições estratégicas no Caribe, fatores que explicam por que potências como China, Rússia e Irã se mantiveram ao lado do regime.
Rússia, Irã e a vitrine antiamericana
A reportagem aponta que a Rússia transformou Caracas em vitrine antiamericana, investiu bilhões, vendeu armamentos e ensaiou presença militar no Caribe, usando a Venezuela como peça de barganha geopolítica.
O Irã atuou em logística, evasão de sanções, cooperação militar e financiamento de redes, com presença de atores como o Hezbollah em operações que envolveram lavagem de dinheiro e narcotráfico.
Estado e crime organizado, uma governança híbrida
Na análise, a defesa de ditaduras acabou legitimando uma simbiose entre Estado e crime, com grupos como Cartel de los Soles, Tren de Aragua e ELN integrando uma governança criminal que protegou o regime.
O resultado foi colapso econômico e humanitário, com hiperinflação, fome e uma diáspora expressiva, citada na reportagem como diáspora de cerca de 7,7 milhões de pessoas, quase um quinto da população venezuelana.
Opinião pública, legitimidade e a ação americana
Os números sobre apoio são elucidativos, segundo a fonte, entre 63% e 76% dos venezuelanos rejeitavam Maduro, e mais de 70% acreditavam que o país seria melhor sem ele, indicando que o interesse central da população era sobreviver e viver sem medo.
Para a reportagem, a reação dos Estados Unidos não foi um gesto missionário, mas um movimento geopolítico clássico, com objetivos múltiplos, como segurança hemisférica, combate ao narcoterrorismo, contenção de rivais e acesso ordenado a recursos.
A discussão pública sobre a defesa de ditaduras pela esquerda, então, precisa reconhecer que não se trata apenas de slogans ideológicos, mas de escolhas que alinham interesses concretos, muitas vezes em prejuízo das populações locais.
O critério honesto para avaliar ações externas, conclui a análise, é simples, quais interesses convergem com as necessidades humanas concretas da população atingida, e no caso venezuelano, aquilo que foi apresentado como defesa de ditaduras acabou por reforçar redes que prejudicaram a própria soberania e bem-estar dos venezuelanos.