Relato de Guilherme Martins sobre conflito com sócio, investimento sem retorno no Discovery Kids, pedido dos investidores pela demissão, e a trajetória do Leiturinha até nova aquisição
O fundador do clube de livros infantis Leiturinha, Guilherme Martins, relembra um dos episódios mais difíceis da empresa, quando precisou demitir seu sócio após um investimento que não trouxe retorno esperado.
O episódio envolveu publicidade no canal Discovery Kids, desembolso na casa dos milhões sem o retorno de ROI previsto, e a intervenção do grupo de controladores que pediu a saída do executivo responsável pelo marketing.
As informações foram relatadas pelo próprio Guilherme no episódio do videocast Divã de CNPJ, no Canal UOL, e trazem detalhes sobre o desconforto e as consequências daquela decisão, conforme informação divulgada pelo Canal UOL.
A demissão que abalou a gestão
Guilherme conheceu o sócio Rodolfo durante um MBA em Campinas, e a parceria prosperou até a entrada de investidores que integraram uma holding e mudaram o controle da empresa.
Rodolfo, responsável pela área de marketing, investiu em publicidade no Discovery Kids, um canal com alta audiência voltado aos pais, público alvo do clube. O valor não foi resgatado na forma de retorno esperado, e o grupo de controladores pediu a demissão de Rodolfo.
Sobre o episódio, Guilherme relata com franqueza, “Isso gerou um trauma gigante. A gente teve a aprovação do controlador, depois o controlador acabou falando que não tinha aprovado. Foi uma história, ficou meio sem perna e nem cabeça.”
Apesar do desconforto, ele acatou o pedido, pensando que Rodolfo manteria participação societária mesmo sem cargo executivo. “Eu falei, se a gente fizer isso e eu saísse, eles iam jogar a empresa para o barranco e não ia funcionar. E continuei, continuo até hoje. Então, a empresa passou, apanhamos muito”, disse Guilherme.
Como funciona o clube Leiturinha
Fundado em 2013, o clube de livros Leiturinha nasceu da inspiração na relação entre pais e filhos gerada pela leitura, com envio mensal de kits personalizados para crianças de 3 a 12 anos, acompanhados de cartas para tornar a chegada do livro um evento especial.
Guilherme explica a missão do serviço, “Queríamos criar uma experiência entre a criança e a leitura que fosse positiva. Normalmente, a criança é introduzida à leitura quando está na escola, aquilo vira quase uma obrigação, uma tarefa de casa.”
Verticalização editorial e controle da cadeia
Com o tempo, o Leiturinha passou a produzir seus próprios títulos para manter o fluxo de entregas e garantir autonomia editorial, criando uma editora própria para encomendar obras com as características desejadas e deter a propriedade intelectual.
Segundo Guilherme, a estratégia ampliou a curadoria e a capacidade de produção, permitindo diálogo direto com autores, inclusive internacionais, e maior domínio sobre a cadeia gráfica, mesmo quando terceirizada, “Temos uma curadoria muito mais avançada, produzimos livros, conversamos direto com autores, então a gente domina a parte de cadeia gráfica, que a gente não possui, mas a gente domina isso; trabalhamos com autores internacionais. Temos pessoas muito comprometidas com isso.”
Impactos, aprendizado e o futuro
O incidente com a demissão do sócio deixou marcas, mas não encerrou a trajetória do Leiturinha. Guilherme hoje está à frente da Sandbox Group, grupo responsável por uma segunda aquisição do clube Leiturinha, e afirma que a empresa sobreviveu a momentos de aperto.
Do ponto de vista de gestão, o caso ilustra como decisões de marketing de alto risco, pressão de investidores e mudança de controle podem conflitar com laços fundadores, e como a verticalização editorial serviu para fortalecer o produto e a relação com assinantes.
O episódio completo com Guilherme Martins está disponível no videocast Divã de CNPJ do Canal UOL, e ajuda a entender os bastidores das decisões que marcaram a trajetória do Leiturinha.