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Como Guy Sorman e o livro ‘O Estado Mínimo’ remodelaram o debate sobre o tamanho do Estado no Brasil, da redemocratização a efeitos na Constituição de 1988

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Guy Sorman e o ‘Estado Mínimo’, influências diretas nas discussões sobre liberalização, tributação, inflação e o papel do Estado na transição democrática brasileira

Em 1985, quando o Brasil retornou ao governo civil, o debate sobre o papel do Estado ganhou novo fôlego, e ideias liberais circulavam com força entre intelectuais e empresários.

Naquele contexto, o livro O Estado Mínimo, do francês Guy Sorman, passou a ser lido como um manual crítico ao intervencionismo, apontando problemas do aparelho estatal e da máquina burocrática.

Essas análises entraram no diálogo nacional enquanto o país enfrentava hiperinflação, o Plano Cruzado de fevereiro de 1986 e a transição política conduzida por Tancredo Neves e José Sarney, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.

Contexto político e econômico entre 1985 e 1988

Quando Tancredo Neves ficou doente em 14 de março de 1985 e faleceu em 21 de abril, José Sarney assumiu com a promessa de seguir o programa de modernização, em meio à crescente globalização.

O governo Sarney buscou reduzir a inflação, mas o Plano Cruzado, lançado em fevereiro de 1986, fracassou por medidas de congelamento de preços e salários, e por restrições que se mostraram antiliberdades.

A promulgação da Constituição Federal de 1988 ocorreu antes da queda do muro de Berlim, em novembro de 1989, e antecedeu a derrocada final do império socialista soviético em 1991, fatores que, segundo analistas, influenciaram a opção por uma Constituição mais estatizante.

Houve também efeitos concretos na organização municipal, o que alterou a estrutura de gastos públicos, com o número de municípios passando de 3.991 em 1985 para 5.570 atualmente, um dado citado para ilustrar o aumento do aparelho público.

As críticas centrais de Guy Sorman

Guy Sorman, nascido em 1944, denunciava o que via como um crescimento desmedido do Estado, máquinas burocráticas clientelistas e empresas estatais ineficientes, que, segundo ele, impediam o crescimento e a melhora da renda per capita.

Em seu argumento, o atraso não seria uma fatalidade, e sim consequência de escolhas econômicas e ideológicas, resumidas na afirmação, “Sorman argumentava que o atraso não é fatalidade, mas resultado de políticas equivocadas inspiradas em teorias esquerdistas.”

Sobre o custo do Estado para o cidadão, Sorman descreveu de forma contundente o ônus fiscal, ao dizer, “como contribuintes, nós financiamos o Estado pagando tributos; como poupadores, o financiamos uma segunda vez pela inflação; e como trabalhadores, o financiamos uma terceira vez pelos pesados encargos trabalhistas.”

Ao mesmo tempo, ele fazia questão de esclarecer sua posição sobre o papel do governo, ao afirmar, “Guy Sorman não é um anarquista que dispensa o Estado, que ele afirma ser necessário, desde que restrito a suas funções clássicas”.

Legado e reflexos no debate público brasileiro

As ideias de Guy Sorman ajudaram a consolidar uma onda liberal nos anos 1980, nascida do descompasso entre serviços públicos prestados e o custo elevado para a sociedade, e influenciaram debates sobre privatizações, abertura comercial e incentivos a investimentos.

No Brasil, a recepção das propostas liberais encontrou apoio entre empresários e parte da intelectualidade, mas esbarrou na fragilidade política do governo Sarney e na escolha constitucional de 1988, que ampliou o papel do Estado em várias áreas.

Hoje, a leitura de Sorman permanece como referência para discussões sobre eficiência, transparência e limites do setor público, e serve como alerta sobre os efeitos do crescimento estatal sem contrapartidas em produtividade e qualidade dos serviços.

O debate que ele ajudou a impulsionar continua vivo, confrontando propostas de redução do Estado com demandas por proteção social, e mostrando que o desafio é combinar liberdade econômica com governança responsável e equidade.

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