Perspectiva de cortes da taxa Selic em março, sinalização do Copom sobre ritmo e magnitude, compromisso do BC com a meta e vigilância a riscos econômicos
O Banco Central divulgou a ata da 276ª reunião do Copom, mostrando que a autoridade manteve a taxa Selic em 15% ao ano pela quinta reunião consecutiva, mas já sinaliza o início do ciclo de cortes para a próxima reunião.
Diretores do BC reconhecem que o ambiente inflacionário está mais favorável, o que abre espaço para reduzir os juros, e apontam março como possível data para a primeira flexibilização da política monetária.
O Copom reforça, no entanto, que continuará vigilante quanto à inflação, e que o ritmo e a magnitude dos cortes dependerão da evolução dos fatores que deem confiança no alcance da meta, conforme informação divulgada pelo g1
Por que o Copom vê espaço para cortes da taxa Selic
Na ata, o colegiado afirma que a política monetária restritiva tem contribuído para a desaceleração da inflação, e que a moderação da atividade econômica ajuda a criar condições para reduzir os juros. Entre os argumentos, os diretores apontam a combinação de um câmbio mais apreciado e um comportamento mais benigno das commodities, que ajudaram a reduzir a inflação de bens industrializados e de alimentos.
O documento registra, em trecho literal, a avaliação do colegiado, “O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião”, demonstrando a expectativa explícita de que os cortes comecem em março.
Compromisso com a meta e critérios para o ritmo dos cortes
Apesar da sinalização de início do ciclo, o Copom deixa claro que manterá “restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”. A ata destaca que “O compromisso com a meta impõe serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo, que dependerão da evolução de fatores que permitam maior confiança no atingimento da meta para a inflação no horizonte relevante para a condução da política monetária”.
Em outras palavras, o BC só reduzirá os juros conforme as leituras de inflação e as expectativas demonstrem que a trajetória está segura, e não hesitará em manter a taxa elevada se sinais de desancoragem aparecerem.
Riscos para a trajetória da inflação
O Copom lista tanto fatores de baixa quanto de alta para a inflação. Entre as pressões baixistas estão a desaceleração da economia doméstica, a redução do crescimento global e a queda dos preços das commodities. Entre riscos de alta estão a desancoragem das expectativas, maior resistência da inflação de serviços do que a projetada e políticas econômicas com impacto inflacionário, como a valorização do dólar.
O texto da ata também ressalta o papel da política monetária na “desinflação”, ao registrar que a atuação do BC “tem contribuído de forma determinante para a desinflação”.
Impacto no mercado de trabalho e na economia real
O colegiado segue atento ao comportamento do mercado de trabalho, com a taxa de desemprego no menor patamar da série histórica do IBGE. O Copom alerta para a necessidade de monitorar a evolução dos rendimentos, porque ganhos salariais mais fortes podem elevar a demanda por bens e serviços, pressionando preços.
A ata enfatiza a importância de diferenciar componentes correntes e estruturais do mercado de trabalho para avaliar como níveis de ocupação podem se transmitir para rendimentos e, por fim, para preços nos diversos setores.
Em síntese, a ata da 276ª reunião do Copom confirma a manutenção da Selic em 15%, mas antevê o início do ciclo de cortes, possivelmente a partir de março, mantendo a advertência de que o ritmo do afrouxamento será condicionado à evolução da inflação e das expectativas.