Na sessão marcada para 5 de fevereiro, a CPMI do INSS deve ouvir Gilberto Waller Júnior, além de Daniel Vorcaro e Cardamone Neto, com foco em fraudes e renovações fraudulentas
O senador Carlos Viana, presidente da CPMI do INSS, afirmou nesta quinta-feira que a comissão ouvirá o presidente da autarquia federal, Gilberto Waller Júnior, na próxima quinta-feira, 5 de fevereiro.
Viana também pediu que o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, seja “obrigado a falar” no depoimento, para esclarecer a concessão de empréstimos consignados a aposentados.
A retomada dos trabalhos coincide com o retorno do Congresso ao calendário, e a CPMI pouco a pouco volta a centrar a apuração nas suspeitas de fraudes nos consignados, incluindo assédio, concessão sem consentimento e renovações fraudulentas, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.
Agenda e depoimentos
A audiência que ouvirá Gilberto Waller Júnior foi marcada para o dia 5, mesma data em que devem depor os banqueiros Daniel Vorcaro e Cardamone Neto. A agenda detalhada do ano ainda não foi divulgada, e o Legislativo retoma os trabalhos na segunda-feira, 2 de fevereiro.
A coincidência dos depoimentos aumenta a atenção da comissão sobre o papel de instituições financeiras na concessão de consignados a beneficiários do INSS, e sobre práticas que teriam levado a dívidas impagáveis para aposentados e pensionistas.
Cobertura judicial e o pedido de Viana
Viana reclamou do que chamou de “blindagem” de decisões judiciais a favor de Vorcaro, após o ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, decretar sigilo elevado na tramitação dos autos.
Além disso, o ministro retirou da comissão todos os dados da quebra de sigilo do banqueiro, medida que motivou críticas do senador, que quer esclarecimentos públicos sobre operações de consignado envolvendo o Banco Master.
Avanço das apurações e dados da CPMI
Em 2025 a CPMI ouviu 26 testemunhas, incluindo Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como o Careca do INSS. O relator, deputado Alfredo Gaspar, qualificou Antunes como “autor do maior roubo a aposentados e pensionistas da história do Brasil”, segundo apurações da comissão.
Os dados levantados pela CPMI apontam que Antunes teria sido operador do esquema, e que teria movimentado R$ 24,5 milhões em cinco meses. Até janeiro de 2026, a comissão somou 4,8 mil documentos analisados, 73 requerimentos de informação e 48 quebras de sigilo.
Foram identificadas 108 empresas suspeitas e mais de R$ 1,2 bilhão em movimentações financeiras investigadas, conforme dados divulgados pela agência Senado, que embasam as próximas oitivas e pedidos de informações da CPMI.