Defesa de Heleno contesta questionamento sobre data de diagnóstico de Alzheimer e alega equívoco do perito
A defesa do general Augusto Heleno apresentou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), esclarecimentos sobre o quadro de Alzheimer do ex-ministro. O advogado Matheus Milanez argumentou que foi um “equívoco por parte do perito” questionar o general sobre a data exata do diagnóstico, visto que, com a doença, ele “não tem condições de explanar sobre marcos temporais”.
Durante o exame médico, Heleno mencionou que possuía a doença de Alzheimer desde 2018. Essa informação embasou um pedido de prisão domiciliar humanitária, que teve parecer favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). No entanto, o ministro Moraes solicitou documentos que comprovassem a condição, além de indagar o motivo pelo qual Heleno assumiu o cargo de ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que lida com informações sensíveis, mesmo com a doença.
O ministro também requisitou provas da condição médica e se o general havia informado o GSI ou outros órgãos federais sobre sua saúde. A defesa, contudo, contrapõe, afirmando que “o réu não estava diagnosticado com a doença de Alzheimer nos anos de 2019 a 2022, sendo diagnosticado somente em janeiro de 2025”, conforme documentação anexada.
Confusão temporal e diagnóstico recente
Milanez ressaltou que a defesa não afirma que o diagnóstico seja de 2018. Essa data foi mencionada por Heleno, que, “justamente por conta do Alzheimer, pode ter se confundido”. A informação sobre a condição de saúde foi o motivo pelo qual o general optou por responder apenas às perguntas de seu advogado durante o interrogatório na ação penal nº 2668, pois “já não tinha segurança quanto a fatos e cronologias”.
Ausência de exames anteriores a 2024 e diagnóstico em 2025
A argumentação da defesa conclui que “não há exames a colacionar referentes a tal doença entre os anos de 2018 e 2023, eis que os exames específicos foram realizados em 2024 e o diagnóstico foi fechado somente em janeiro de 2025”. Augusto Heleno foi condenado a 21 anos de prisão por envolvimento em um suposto plano de golpe de Estado e tem 78 anos, encontrando-se preso no Comando Militar do Planalto, em Brasília.