Toffoli rejeita impedimento e diz que não sairá da relatoria do Banco Master, em meio a evidências de viagens com advogado envolvido, laços familiares com investigados e sigilo no processo
Dias Toffoli decidiu sustentar a relatoria do caso Banco Master mesmo após críticas públicas e sinais de desgaste institucional.
O ministro argumenta que não há hipótese legal para impedimento, e que não se enquadra nas vedações previstas em lei, posição que aumentou a controvérsia em torno do processo.
O episódio reúne reclamações da imprensa, reações internas no Supremo e estranheza de delegados da Polícia Federal, abrindo questionamentos sobre imparcialidade e procedimentos.
conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo
Posição pública e a frase que alimentou a polêmica
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, Toffoli disse a interlocutores, em tom direto, "daqui eu não saio, daqui ninguém me tira", ao justificar que não via razões para se declarar impedido ou suspeito.
Essa declaração, segundo a reportagem, foi interpretada por críticos como desafio e aumento da tensão, porque coincidiu com notícias sobre viagens e relações próximas de familiares do ministro com pessoas ligadas ao núcleo investigado.
Viagem com advogado e laços familiares documentados
Relatos apontam que Toffoli viajou em jatinho com o advogado Augusto Arruda Botelho, ligado ao grupo Prerrogativas, e defensor de um dos diretores do Banco Master, informação que alimentou dúvidas sobre conflito de interesse.
Além disso, há registros de que irmãos e primos do ministro mantiveram relações comerciais com empresas e pessoas conectadas ao caso, inclusive com o cunhado de Daniel Vorcaro, figura central nas investigações, detalhes que não foram negados e estão documentados.
Fundamento legal e reação da Polícia Federal
O colunista citou o Código de Processo Penal e o artigo 252, que proíbe atuação do juiz em processo no qual ele ou parentes até o terceiro grau tenham interesse direto, como fundamento para questionar a permanência na relatoria.
Delegados da cúpula da Polícia Federal, segundo reportagem da BBC News Brasil, reagiram com perplexidade a decisões do ministro, como a escolha pessoal de peritos que teriam acesso ao material apreendido, prática incomum e que causa estranheza entre investigadores.
Pressão no Supremo e riscos institucionais
No Supremo, colegas manifestam incômodo com a centralização de decisões e a recusa em reconhecer potencial conflito de interesses, avaliando que a postura pode causar dano institucional e contaminar a imagem da corte.
Enquanto Toffoli sustenta que não há motivo legal para se afastar, a soma de críticas da imprensa, a reação da PF e o desconforto entre ministros compõem uma pressão que pode limitar a capacidade de manter a relatoria no longo prazo.
O futuro imediato do caso depende agora de como o próprio tribunal e as instâncias competentes reagirão a esse acúmulo de controvérsias, e se medidas formais de impedimento ou redistribuição da relatoria serão acionadas, diante das evidências e do debate público.