Queda do câmbio ocorre em meio a liquidações decretadas pelo Banco Central, recuo do petróleo e indicadores que reforçam expectativa de início dos cortes de juros
O dólar comercial encerrou a sessão em queda, enquanto a Bolsa de Valores renovou o recorde histórico, com novo avanço do Ibovespa.
A conjuntura combina movimento no mercado cambial, volatilidade em commodities e dados econômicos que reforçam leitura de arrefecimento da atividade.
conforme informação divulgada pelo UOL.
Dólar, variação e contexto do mercado cambial
O dólar fechou o dia em queda de 0,62%, vendida a R$ 5,368, após chegar a R$ 5,339 no período da manhã. Na véspera, a moeda teve alta de 0,49%, e vinha de três altas seguidas que levaram a cotação a R$ 5,40, antes da reversão de hoje.
O movimento do câmbio foi monitorado pelo mercado diante da decisão do Banco Central de decretar a liquidação extrajudicial de duas instituições, entre elas a CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., nova denominação de Reag Trust, e a Advanced Corretora de Câmbio, com sede em São Paulo.
Bolsa em alta e indicadores de atividade
O Ibovespa bateu novo recorde e fechou em 165.568 pontos, alta de 0,26%, ritmo que sucede o marco histórico atingido ontem, quando o índice superou os 165 mil pontos pela primeira vez. O volume negociado do dia foi de R$ 27,1 bilhões.
O desempenho foi puxado por ações como Magalu, Vamos e Bradesco, e refletiu também a leitura dos dados do IBGE, que mostrou crescimento de 1% no volume de vendas do comércio varejista em novembro frente a outubro, acumulando 1,5% nos últimos 12 meses.
Na avaliação apresentada, "A economia brasileira perdeu fôlego na segunda metade de 2025, em linha com a política monetária contracionista. Com protagonismo, o mercado de trabalho permanece robusto, com a taxa de desemprego nas mínimas históricas e a renda real em trajetória ascendente." Rodolfo Margato, economista da XP
Commodities e fatores externos
Os preços do petróleo operaram em forte queda após declarações do presidente dos EUA, que reduziram a percepção de risco de um conflito direto, pressionando os contratos internacionais.
Por volta das 17h, o barril do tipo Brent para março caía 4,34%, a US$ 63,64, e o WTI para fevereiro recuava 4,77%, a US$ 59,06 o barril. O contrato de ouro com vencimento em fevereiro valia, por volta das 17h, US$ 4.617 por onça, variação negativa de 0,40%.
Como apontou um operador do mercado, "Com a percepção reduzida de risco de uma ação militar americana contra o Irã, a busca por ativos de risco volta ao mercado. Apesar disso, segue no radar as tensões provocadas pelas tarifações pelo presidente americano, que podem refletir no agronegócio brasileiro, além da sobretaxa de 25% anunciada por Trump." Marcio Riauba, head da Mesa de Operações da StoneX
Perspectiva para juros e próximos passos do Banco Central
O ritmo mais fraco da economia abre espaço para que o Banco Central inicie cortes na taxa básica de juros. A Selic foi elevada a 15% no ano passado e a expectativa predominante dos mercados é de início de queda em março.
O Copom se reúne nos dias 27 e 28 de janeiro para a próxima decisão sobre a taxa. Analistas e investidores acompanham indicadores como produção agrícola, que também aponta mudança: a previsão do IBGE para 2026 é de 339,8 milhões de toneladas na produção de cereais, leguminosas e oleaginosas, uma queda de 1,8% ante 2025.
Em síntese, a combinação de liquidações determinadas pelo BC, recuo do petróleo e sinais de desaquecimento doméstico mantêm o mercado atento para a trajetória da inflação e para o calendário de decisões da autoridade monetária.