Mercado reage com real valorizado, dólar a R$ 5,206, Bolsa em novo recorde acima de 181,900 pontos, investidores de olho nas decisões do Copom e do Fed
O dólar encerrou a sessão em queda, e a Bolsa brasileira renovou máxima histórica em meio a fluxo de capital externo e expectativas sobre juros no Brasil e nos Estados Unidos.
O movimento reúne fatores internos e externos, com dados de inflação, comportamento de commodities e decisões de bancos centrais no centro das atenções.
Os números do dia e comentários de analistas mostram um mercado atento à chamada Superquarta, conforme informação divulgada pelo UOL.
O que aconteceu no câmbio e na Bolsa
O dólar comercial fechou em queda de 1,41%, cotado a R$ 5,206, a menor cotação para preço de fechamento desde 29 de maio de 2024, quando estava em R$ 5,208.
O fluxo de recursos de investidores estrangeiros para o Brasil e a fraqueza do dólar ante outras moedas no exterior têm alimentado a valorização do real.
No mesmo dia, o Ibovespa renovou seu recorde histórico, abrindo em alta e acelerando pela manhã, chegando a 182.042 pontos às 16h56, alta intradiária de 2,19%, e fechando a sessão em 181.919 pontos, com ganho de 1,79%.
Commodities e setores em destaque
Os contratos futuros de ouro operaram ao redor da estabilidade, subindo 0,26% por volta das 17h, a US$ 5.135 a onça (28,35 gramas), próximas às cotações recordes do mês.
O metal já acumula ganho de quase 90% em 12 meses, pressionado pela busca por ativos considerados seguros em um cenário de tensões geopolíticas.
O setor financeiro também teve desempenho positivo, com bancos como Banco do Brasil, Itaú e Bradesco favorecidos pela expectativa de redução dos juros, que pode fomentar a retomada do crédito.
Eventos corporativos e impacto
A mineradora Vale comunicou suspensão das operações nas unidades produtivas de Fábrica e Viga, em Minas Gerais, após determinação da prefeitura de Congonhas para suspender alvarás de funcionamento.
A companhia afirmou que essas interrupções não alteram suas previsões para o ano, e as ações da Vale acompanharam a tendência de alta predominante na Bolsa.
Superquarta, inflação e expectativas para juros
O mercado aguarda a chamada Superquarta, quando o Copom e o Fed anunciam as taxas de juros de referência para Brasil e Estados Unidos.
Para mais de 80% dos agentes de mercado, o Copom deve manter a Selic em 15% ao ano, atual patamar mais alto desde 2006, com expectativa de cortes iniciando em março.
O IPCA-15 para o primeiro mês de 2026 variou 0,20%, e passou a acumular 4,5% em 12 meses, após fechar 2025 em 4,41%, indicando um quadro inflacionário em desinflação, segundo dados do IBGE.
Sobre a política monetária e a inflação, destaque para as falas extraídas das análises do mercado, com posições distintas sobre o momento de corte dos juros.
“O quadro inflacionário brasileiro segue em processo de desinflação, sustentado por valorização recente do câmbio, maior estabilidade das commodities, queda recente dos preços dos alimentos e desaceleração dos custos de produção, tanto no segmento agrícola quanto no industrial. Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research”
“A inflação continua no caminho certo, diante da política monetária em curso. No entanto, o resultado de hoje reforça a minha visão de que o Banco Central não cortará os juros na reunião desta semana, mas sim em março. Maykon Douglas, economista”
“O investidor estrangeiro segue entrado em países emergentes, como o Brasil, favorecendo a Bolsa e derrubando o dólar. Além disso, hoje, o IPCA 15 veio levemente abaixo do esperado, reforçando a indicação de que na reunião de março o Banco Central deve começar o ciclo de cortes dos juros, o que favorece a economia e a renda variável.Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora”
“Os indicadores de serviços [no IPCA-15] seguem exibindo sinais mistos em um contexto de mercado de trabalho apertado, o que corrobora a postura cautelosa recente do Banco Central. Ainda assim, a melhora das expectativas inflacionárias e a tendência desinflacionária dos preços de bens devem permitir ao Copom iniciar o ciclo de flexibilização monetária em março.Alexandre Maluf, economista da XP”
No exterior, o Federal Reserve deve manter a taxa de referência, que foi reduzida em dezembro para o intervalo entre 3,75% e 4% ao ano, e os analistas preferem aguardar novos indicadores antes de apostar em cortes adicionais.
Em resumo, a combinação de fluxo externo, dados de inflação levemente favoráveis e expectativas de queda futura de juros tem sustentado a valorização do real e o recorde da Bolsa, mas a atenção permanece voltada para os anúncios da Superquarta.