Mercado reage à Ata do Copom, com dólar em baixa, Bolsa em alta e expectativa de que o Banco Central inicie o ciclo de corte de juros em março, afetando renda fixa e ações
O mercado financeiro abriu o dia em movimento claro, com dólar em queda e o Ibovespa em alta, diante da leitura da Ata do Copom que reforçou a sinalização de um corte de juros em março.
Investidores processam o texto do Comitê de Política Monetária, que detalha as razões para manter a taxa em 15% na última reunião e, ao mesmo tempo, aponta para o início da flexibilização a partir de março.
Os dados e as declarações que moveram o pregão foram divulgados em reportagem do UOL, conforme informação divulgada pelo UOL.
Mercado cambial e o comportamento do dólar
O dólar comercial para venda começou a sessão cotado a R$ 5,235, queda de 0,43%, após ter subido 0,19% no pregão anterior e retornado ao patamar de R$ 5,25. A reação da moeda vem depois de uma forte queda em janeiro, quando a divisa recuou 4,4%, a maior desde junho do ano passado, quando caiu -4,98%.
Parte do movimento é atribuída à Ata do Copom, que, no documento, afirma textualmente, “O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião”. Esse trecho reforçou as expectativas de que o ciclo de corte de juros em março será iniciado, pressionando o câmbio para baixo.
Bolsa, produção industrial e sentimento dos investidores
O principal índice da Bolsa brasileira, o Ibovespa, operou em alta, subindo 1,32%, a 185.204 pontos por volta das 10h30. A reação positiva se dá tanto pela sinalização do Banco Central quanto por dados econômicos divulgados nesta terça-feira.
O IBGE mostrou que a produção industrial teve queda de 1,2% em dezembro ante novembro, e que a indústria brasileira fechou 2025 com avanço de 0,6%, desacelerando ante aumento de registrar 3,1% em 2024. Esses números reforçam uma visão de curto prazo mais fraco para a indústria, mesmo com a perspectiva de cortes na Selic.
Na avaliação divulgada na cobertura, “A ata do Copom foi neutra em relação ao comunicado: deixa em aberto o ritmo e também o tamanho do ciclo, mas ressaltando que é unânime a avaliação da necessidade de uma Selic restritiva, o que é um limitante para debate de terminais mais baixas. Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos”.
Sobre o impacto dos cortes na indústria, foi citado que “O setor industrial tem caminhado em dois trilhos, pois a parcela mais sensível às condições de crédito sofre mais com o aperto monetário do Banco Central. Mesmo o ciclo iminente de cortes da taxa Selic não deve ajudar muito o setor no curto prazo, pelo efeito defasado da política monetária e porque este deve ser um ciclo mais cauteloso. Maykon Douglas, economista”.
Commodities e perspectivas para juros
No mercado de metais preciosos, o ouro voltou a subir após fortes correções que o colocaram abaixo de US$ 5 mil. O contrato para 100 onças troy para abril subia 6,6%, a US$ 4.959, segundo dados da ICE International Exchange.
Analistas atribuíram a alta do ouro às incertezas geopolíticas e à volatilidade dos mercados, com a citação de que “Os mercados da prata e do ouro continuam imprevisíveis. Depois da forte queda e uma queda como esta, ficam cicatrizes e será necessário tempo para que o mercado recupere a confiança”, comentou Chris Weston, da corretora Pepperston.
Os contratos futuros de petróleo operaram próximos da estabilidade, com o Brent para março subindo 0,4%, para US$ 66,57, e o WTI para fevereiro variando 0,5%, para US$ 62,47 o barril, enquanto o mercado monitora negociações sobre o fornecimento russo.
Entre economistas, há expectativa por cortes consistentes nas próximas reuniões. Em comentário reproduzido na cobertura, Caio Megale afirmou, “Em nossa avaliação, a ata de hoje é consistente com o nosso cenário de corte de 0,50 ponto percenrtuall na taxa Selic em março. Projetamos cinco cortes consecutivos desse tamanho, levando a Selic a 12,50%. Em termos reais, a taxa de juros ficaria em torno de 8,0%, acima do que consideramos o nível neutro, refletindo os desafios fiscais esperados para o próximo mandato presidencial.”
Em resumo, a leitura da Ata do Copom reforçou a narrativa de que o ciclo de afrouxamento começa em março, pressionando o dólar para baixo e favorecendo um pregão positivo para ações, enquanto os investidores digerem dados da indústria e o comportamento de commodities.