Na reta final das Eleições em Portugal, deputado Manuel Beninger afirma que Ventura usará a magistratura de influência para pressionar o Parlamento e romper um regime de décadas
O avanço de André Ventura ao segundo turno nas Eleições em Portugal reacende um debate sobre mudança política, soberania e controle migratório, temas centrais na campanha do Chega.
Para aliados e críticos, a presença de um candidato de direita com chances reais altera a alternância tradicional entre centro e esquerda, e acende discussões sobre identidade e serviços públicos.
Nas declarações ao programa Café com a Gazeta, o deputado municipal Manuel Beninger afirmou que a candidatura reflete um sentimento popular de ruptura, e que Ventura pretende fiscalizar e pressionar o Legislativo, com foco em reformas na gestão pública e imigração, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo, no programa Café com a Gazeta.
Sistema semipresidencial e a “magistratura de influência”
Portugal adota um modelo semipresidencialista, no qual o presidente é chefe de Estado, com poderes como veto a leis e a possibilidade de dissolver a Assembleia da República em situações específicas.
Segundo Manuel Beninger, Ventura pretende usar essa chamada “magistratura de influência” para pressionar o Parlamento e fiscalizar o Executivo, com o objetivo de romper o que considera um domínio político exercido ao longo de cerca de 50 anos.
Na entrevista, Beninger disse, textualmente, “Pela primeira vez temos um candidato de enorme competência e coragem, que é o André Ventura, capaz de rasgar de uma vez por todas com este regime que existe há várias décadas em Portugal”, frase que ilustra a proposta de mudar estruturas políticas estabelecidas.
Imigração no centro do debate
A política migratória aparece como um eixo central nas Eleições em Portugal, segundo o relato do parlamentar, que relaciona fluxos recentes a pressões sobre serviços públicos e identidade cultural.
Nos dados citados por Beninger, a população portuguesa chegou a cerca de 11 milhões de habitantes, e a comunidade brasileira continua sendo a maior comunidade estrangeira em Portugal, representando cerca de 5% da população.
O deputado defendeu regras migratórias mais rígidas e afirmou, textualmente, “Não se trata de racismo ou xenofobia. Trata-se da defesa dos nossos valores, da nossa cultura e, acima de tudo, da nossa pátria”, posicionamento que coloca integração cultural e religiosa no centro do debate público.
Ruptura política e ecos europeus
Beninger relacionou o avanço do Chega a tendências observadas em outros países europeus, citando episódios na Hungria, Itália, França e Holanda, onde pautas de soberania e conservadorismo ganharam espaço.
A chegada de Ventura ao segundo turno, um fato inédito nas últimas décadas, é vista por seus apoiadores como oportunidade para implementar mudanças na gestão do Estado, enquanto opositores apontam riscos à coesão social.
As Eleições em Portugal, com o tema da imigração em destaque e a promessa de maior intervenção presidencial no Legislativo, devem manter o país no centro de discussões sobre democracia, integração e futuro das políticas públicas.