Empresário Renê Nogueira alega ter sofrido ameaças e nega ter confessado assassinato de gari sob coação
O empresário Renê da Silva Nogueira, acusado de matar o gari Laudemir de Souza Fernandes em Belo Horizonte, declarou à Justiça nesta quarta-feira (26) que portava uma arma no dia do crime por ter recebido ameaças de um antigo sócio ligado ao jogo do bicho. A declaração foi feita durante seu interrogatório no 1º Tribunal do Júri Sumariante, na capital mineira.
Segundo informações divulgadas pelo G1, Renê não respondeu diretamente a todas as perguntas, mas detalhou sua versão dos fatos. Ele afirmou que, no dia do ocorrido, ficou parado no trânsito por cerca de 30 minutos e que teve a oportunidade de atirar em outras pessoas, mas optou por não fazê-lo, reiterando que jamais atiraria em alguém por tal motivo.
A defesa do empresário também buscou contestar informações sobre sua formação acadêmica, apresentando diplomas e certificados de instituições como a USP e Harvard Business Review Brasil. A audiência, que começou na terça-feira (25), ouviu testemunhas de acusação, incluindo colegas do gari Laudemir Fernandes, que presenciaram o crime.
Testemunhas relatam discriminação e revolta após morte do gari
Eledias Aparecida Rodrigues, motorista do caminhão de lixo e colega da vítima, relatou que o empresário demonstrou discriminação e usou seu poder socioeconômico. “Ele exerceu todo o poder socioeconômico dele, discriminando até a nossa profissão. Ele pensou que poderia agir daquela forma que ele iria sair ileso”, disse Eledias, conforme divulgado pelo G1.
O gari Tiago Rodrigues Vieira também foi ouvido e expressou o desejo de justiça. “Estou esperando que a Justiça bata o martelo. Que o acusado possa refletir o que ele fez com o trabalhador que não fez nada com ele e perdeu a vida”, declarou.
O advogado da família de Laudemir Fernandes, Tiago Lenoir, demonstrou expectativa pela condenação do réu. Ele enfatizou que o gari estava com um saco de lixo na mão quando foi alvejado. “Todas as testemunhas presenciais desse crime foram perguntadas: ‘O que tinha nas mãos do Laudemir?’. Um saco de lixo. Poxa, ele estava com um saco de lixo na mão, e esse indivíduo aponta a arma para ele, dá um disparo e ele morre no local”, afirmou.
Defesa de Renê contesta confissão e alega coação policial
Renê Nogueira negou ter confessado o crime na delegacia, alegando que foi ameaçado por policiais. Segundo ele, os policiais teriam sugerido prejudicar sua esposa, que é delegada, caso ele não agisse conforme o esperado. O empresário também mencionou que está sendo perseguido e expressou incerteza sobre a manutenção de seu casamento.
A Justiça negou o pedido para que a companheira do gari atuasse como assistente de acusação, por falta de documentos que comprovassem a união estável. A defesa de Renê afirmou que só se manifestará após o término das audiências, que continuam nesta quarta-feira (26) com oitiva de testemunhas de defesa e o possível interrogatório do réu.
O caso remonta a 11 de agosto, quando Renê da Silva Nogueira Júnior atirou no gari Laudemir de Souza Fernandes após uma discussão de trânsito. A arma utilizada no crime foi identificada como pertencente à esposa do empresário, a delegada Ana Paula Lamego Balbino, segundo exame de balística.