Investigação sobre a liquidação do Banco Master revela contratos, viagens em jato, investimento em resort e suspeitas de relações com ministros do Supremo, segundo a Economist
O escândalo envolvendo o Banco Master segue ganhando repercussão internacional, depois que a revista Economist publicou reportagem sobre as consequências da liquidação da instituição.
A matéria cita gastos pessoais do comando do banco, tentativas de venda que acionaram o Banco Central e investigações que alcançaram figuras do Judiciário, gerando forte debate público.
As informações acima constam em reportagem da revista The Economist e em texto publicado pela Gazeta do Povo, que divulgaram detalhes sobre contratos, prisões e estimativas de prejuízo financeiro.
Como funcionava o esquema e a ação do Banco Central
Segundo a apuração, o modelo de negócios do Banco Master se apoiava na venda de certificados de depósito bancário a altos juros, apesar de ausência de liquidez efetiva.
Em setembro, a tentativa repentina de vender a empresa chamou a atenção do Banco Central, que então abriu investigação e decidiu pela liquidação da instituição.
Pouco depois da descoberta das irregularidades, o controlador foi detido ao tentar embarcar em um jato particular com destino a Dubai, o que intensificou a investigação.
Contratos, gastos e laços com a elite política e jurídica
A Economist relatou os altos gastos de Daniel Vorcaro com imóveis, jatos particulares, um hotel de luxo, um time de futebol e festas desde que assumiu o comando em 2019.
Em trecho citado pela reportagem, “O banco havia assinado um contrato de US$ 24 milhões, com duração de três anos, com um escritório de advocacia dirigido pela esposa de Alexandre de Moraes, um influente juiz do Supremo Tribunal Federal“.
A publicação também trouxe menção a contatos entre Alexandre de Moraes e Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, antes da liquidação, e registrou que, segundo a matéria, “O Sr. Moraes afirma que ele e o Sr. Galípolo se encontraram para discutir assuntos não relacionados ao Banco Master“.
Sobre o ministro Dias Toffoli, a Economist registrou que “O Sr. Toffoli viajou em um jato particular com um advogado do Banco Master quase ao mesmo tempo em que o sistema de sorteio do Supremo Tribunal Federal o designou para liderar o caso contra a empresa” e que, depois, foi divulgado que o cunhado do controlador, Fabiano Zettel, havia investido “mais de US$ 1 milhão” em um resort pertencente a irmãos de Toffoli.
A revista observou, ainda, que “Não há provas de que o Sr. Toffoli soubesse do assunto“, no entanto, ressaltou que esses laços reforçam a percepção pública de falta de imparcialidade na Suprema Corte.
Impacto financeiro e consequências para depositantes
O caso terá forte impacto financeiro, porque gerou um passivo que deverá ser coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito.
Conforme a reportagem, o prejuízo para o FGC será significativo, com previsão de que o “Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que desembolsará entre US$ 7,5 bilhões e US$ 10 bilhões“, o que representa a maior indenização desse tipo na história do país.
Além do impacto direto sobre depositantes, a exposição dos vínculos entre o Banco Master e figuras do poder ampliou o debate sobre governança no sistema financeiro e a necessidade de mecanismos mais eficazes de fiscalização e transparência.
Próximos passos das investigações
As apurações continuam, envolvendo autoridades como a Unidade de Inteligência Financeira e a Receita Federal, além de investigações criminais sobre a atuação da diretoria do banco.
O caso do Banco Master segue sendo acompanhado pela opinião pública e por agentes reguladores, enquanto deputados, magistrados e analistas discutem mudanças que possam reduzir riscos semelhantes no futuro.