Exportações do agro brasileiro seguem rumo a recorde histórico em 2025, com US$ 155,3 bilhões até novembro, pese tarifaço dos EUA e surtos de influenza aviária
O agronegócio do Brasil caminha para encerrar 2025 com um recorde histórico de vendas externas, apesar de choques como o tarifaço imposto pelos Estados Unidos e episódios de influenza aviária no Sul do país.
Entre janeiro e novembro, o setor somou US$ 155,3 bilhões em exportações, o que representa 1,7% a mais que o mesmo período de 2024, quando as vendas chegaram a US$ 152,6 bilhões.
Os dados são oficiais, conforme informações divulgadas pelos ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Mapa e MDIC.
Soja e café, volume e preços que sustentam as receitas
O complexo soja segue como principal produto da pauta, com avanço em volume, e contribui para o desempenho das exportações do agro brasileiro.
Até novembro, os produtos do complexo soja registraram 127,4 milhões de toneladas, um aumento de 6,8% em volume sobre igual período de 2024, embora o valor tenha recuado 2,9%, para US$ 50,6 bilhões, em razão da queda nos preços.
O café teve comportamento distinto, com queda no volume, mas preços internacionais mais altos, levando a uma receita maior, de US$ 14,4 bilhões até novembro, 28,7% a mais que no ano anterior, apesar do volume ter recuado 19,2%.
Carnes em alta e redirecionamento de destinos frente ao tarifaço
As exportações de carnes foram destaque, com aumento expressivo em 2025, e sustentam a perspectiva de recorde das exportações do agro brasileiro.
O setor de carnes somou US$ 28,6 bilhões entre janeiro e novembro, o que equivale a um avanço de 19,7% sobre os US$ 23,9 bilhões vendidos no mesmo período de 2024, e é um recorde para o intervalo.
A proteína bovina se destacou, com receita de US$ 14,9 bilhões, alta de 39,8%, mesmo após os Estados Unidos terem aplicado tarifas de 50 pontos porcentuais sobre importações brasileiras entre 6 de agosto e 13 de novembro.
Em reação ao tarifaço, o Brasil conseguiu redirecionar embarques para outros mercados e abrir destinos inéditos, o que ajudou a manter o fluxo exportador, e em dezembro a média diária de exportações de carne bovina já estava 68,5% maior que a de dezembro de 2024.
Avicultura, impacto da influenza aviária e recuperação
O setor de frango sofreu com a notificação de influenza aviária, mas mostra sinais de recuperação nas vendas externas, o que também afeta as exportações do agro brasileiro.
Até novembro, o segmento exportou 4,5 milhões de toneladas e faturou US$ 8 bilhões, uma queda de 1% no volume e de 3,8% no valor na comparação anual.
Em maio, o Brasil confirmou um foco de influenza aviária de alta patogenicidade em uma granja comercial em Montenegro (RS), levando 42 países a suspenderem importações do produto brasileiro. A declaração de país livre foi recuperada em 18 de junho, e embargos foram derrubados gradualmente.
Mesmo assim, a China, que voltou a importar apenas no início de novembro, reduziu as compras de carne de frango brasileira em 55,3% em volume e 53,8% em valor nos 11 primeiros meses de 2025, na comparação com 2024.
Principais mercados e participação por países
A China segue como principal destino e pilar das exportações do agro brasileiro, com participação significativa nas receitas.
Até novembro, a China comprou US$ 52 bilhões em produtos agropecuários brasileiros, o equivalente a 33,5% da pauta. A União Europeia, somada, esteve em segundo lugar com US$ 22,9 bilhões, 14,7% do total.
Os Estados Unidos aparecem em terceiro, com US$ 10,5 bilhões até novembro, apesar das tarifas de 50% aplicadas a parte dos produtos entre agosto e novembro. Outros compradores relevantes foram Vietnã, Índia, Indonésia, México, Japão, Turquia e Egito, todos com importações na casa dos bilhões.
Panorama final e tendência para 2025
Comparado a 2015, quando o agronegócio exportou US$ 81,3 bilhões nos primeiros 11 meses, o crescimento até 2025 é de 90,9%, o que mostra a ampliação do peso internacional do setor.
Apesar de obstáculos pontuais, como o tarifaço dos EUA e surtos sanitários, a dinâmica de volumes, preços e a capacidade de realocação de mercados sustentam a expectativa de que as exportações do agro brasileiro fechem 2025 em nível recorde, segundo os dados do Mapa e do MDIC.