Filho de ‘El Chapo’ admite culpa em tribunal americano e promete cooperação em troca de pena reduzida
Em um desdobramento significativo na luta contra o narcotráfico internacional, Joaquín Guzmán López, filho do famoso ex-líder do Cartel de Sinaloa, Joaquín “El Chapo” Guzmán, declarou-se culpado de acusações de tráfico de drogas em um tribunal federal em Chicago. O acordo de culpabilidade, divulgado pela AFP, prevê a cooperação do réu com a justiça americana, o que pode levar a uma redução considerável de sua pena.
O acordo estabelece que Guzmán López, de 39 anos, cooperará “de forma plena e sincera” com as autoridades dos Estados Unidos. Isso inclui o fornecimento de informações detalhadas e depoimentos completos sobre as atividades do cartel. Essa colaboração é vista como uma estratégia para obter uma pena menor, potencialmente evitando a prisão perpétua que ele poderia enfrentar.
Essa declaração de culpa segue um padrão similar ao de um de seus irmãos, Ovidio Guzmán López, que também se declarou culpado em Nova York em julho, por acusações parecidas. Os irmãos Guzmán López, juntamente com Archivaldo Guzmán Salazar e Jesús Guzmán Salazar, são acusados de assumir a liderança de uma facção do cartel conhecida como “Los Chapitos”, dando continuidade às operações iniciadas por seu pai, que cumpre prisão perpétua no Colorado.
O caminho para a confissão
Joaquín Guzmán López foi detido no Texas em julho de 2024, após desembarcar em um avião particular. Na ocasião, ele viajava acompanhado de Ismael “El Mayo” Zambada, um dos fundadores do Cartel de Sinaloa. Inicialmente, Guzmán López negou as acusações de narcotráfico, lavagem de dinheiro e uso de armas de fogo.
No entanto, em uma reviravolta surpreendente, ele admitiu ter sequestrado Ismael Zambada. Segundo o acordo consultado pela AFP, Guzmán López orquestrou o sequestro após simular uma disputa, com o objetivo de obter clemência das autoridades americanas. O plano envolvia a apreensão de Zambada por cúmplices, que o algemaram e o levaram para o aeródromo.
Acusações e impacto do Cartel de Sinaloa
A acusação principal contra os “Los Chapitos” envolve a introdução de substâncias como cocaína, metanfetamina e maconha nos Estados Unidos, utilizando o México como rota. O Cartel de Sinaloa é apontado por Washington como o principal responsável pelo tráfico de fentanil para os EUA, droga sintética que tem causado milhares de mortes por overdose no país, elevando a tensão entre as nações.
Além do fentanil, os quatro irmãos são acusados de transportar toneladas de cocaína e de se envolverem em suborno de funcionários públicos, além de cometerem assassinatos, sequestros e agressões. A disputa pelo controle do cartel após as prisões de alguns de seus membros resultou em conflitos internos violentos no México, com centenas de mortos e desaparecidos.
O futuro de Guzmán López e o legado de ‘El Chapo’
Ao ser questionado pela juíza Sharon Johnson Coleman sobre sua ocupação, Guzmán López respondeu com um sombrio “Tráfico de drogas”, o que gerou reações na sala do tribunal. O procurador federal adjunto Andrew Erskine indicou que, em troca da cooperação contínua, a promotoria solicitará uma pena inferior à prisão perpétua.
O caso de Joaquín Guzmán López se soma ao de seu irmão Ovidio e ao de Ismael Zambada, que também se declarou culpado de narcotráfico. O legado de seu pai, “El Chapo”, que cumpre pena máxima nos EUA, continua a impactar as políticas de segurança e as relações diplomáticas entre México e Estados Unidos, especialmente no que diz respeito à crise de opioides no país norte-americano.