Análise de Sílvio Crespo indica que expectativa de queda da Selic, queda do dólar e desaceleração do IPCA explicam alta do IFIX, e avalia riscos e cenários para fundos imobiliários em 2026
Os fundos imobiliários dispararam em 2025, e a pergunta que fica é se a valorização pode continuar em 2026.
Nesta reportagem explicamos por que a expectativa de queda da Selic e a trajetória da inflação ajudam a explicar a alta, quais são os riscos e o que investidores devem considerar antes de aumentar exposição.
As conclusões e números citados a seguir são extraídos de análise publicada por Sílvio Crespo, conforme informação divulgada pelo UOL Economia, em coluna de Sílvio Crespo.
O que aconteceu em 2025, números e comparação com renda fixa
Segundo a coluna, “Desde a data em que publiquei a coluna, no entanto, os FIIs, medidos pelo Ifix (índice de referência do setor), renderam nada menos do que 28,9%, quase o dobro do CDI, indicador de referência dos investimentos de renda fixa, que acumulou ganhos de 15,2% no mesmo período.”
O texto também exemplifica o impacto na prática, “Isso significa que um aporte de R$ 10 mil em FIIs gerariam um ganho líquido aproximado de R$ 2.311 no período, enquanto o mesmo valor aplicado em títulos que rendem 100% do CDI teriam retorno de R$ 1.216. Já R$ 100 mil teriam gerado lucro de R$ 23,1 mil em FIIs e de R$ 12,2 mil no CDI.”
Por que a queda da Selic tende a elevar preço dos fundos imobiliários
A lógica comentada por Crespo é simples, enquanto os juros estão altos muitos investidores preferem renda fixa, reduzindo demanda por ativos como os fundos imobiliários, e pressionando preços para baixo.
Quando a Selic começa a cair, ou quando cresce a expectativa de queda, a renda fixa perde atratividade, e parte do fluxo busca renda variável, elevando preços dos FIIs, frequentemente antes mesmo da queda efetiva dos juros.
Perspectivas para a Selic e sinais da inflação
O autor lembra que a taxa básica está “no patamar mais alto em quase 20 anos” e que, antes do nível atual, “de 15% ao ano, esse indicador só esteve tão alto em julho de 2006.”
Além disso, Crespo destaca a trajetória do IPCA, “Em abril, o IPCA acumulado em 12 meses estava em 5,63%. Desde então, teve uma trajetória predominantemente de desaceleração, até fechar o ano em 4,26%.”
Esses sinais reforçam a aposta de que a Selic pode cair “por bem”, com inflação mais controlada, e que essa queda tende a favorecer novos apreciamentos dos fundos imobiliários.
Riscos, cenários adversos e recomendações para investidores
Crespo aponta ameaças ao cenário favorável, como uma alta abrupta do dólar por crise global, ou um aumento de gastos públicos acima do previsto, que poderiam elevar a inflação e adiar cortes na Selic.
Mesmo nesses cenários, a análise sugere que a valorização dos FIIs poderia apenas ser adiada, pois um ajuste fiscal futuro ou uma recessão também abriria espaço para cortes de juros e recuperação dos preços.
Por fim, a coluna reforça que nada do publicado é recomendação de compra ou venda, e que os fundos imobiliários são ativos de renda variável com risco de perdas, portanto é essencial conhecer o risco e escolher fundos com critério.
Investidores que já têm posição relevante em FIIs podem ver o momento como oportuno para revisar diversificação e avaliação de fundos, enquanto quem pensa em entrar deve considerar objetivos, horizonte e tolerância ao risco.