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Galípolo do BC: Efeitos do ‘Tarifaço’ de Trump no Brasil ainda são incertos e geram dúvidas sobre inflação futura

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Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sinaliza que os efeitos do ‘tarifaço’ imposto pelos Estados Unidos às exportações brasileiras ainda são difíceis de mensurar, gerando incertezas sobre o impacto inflacionário futuro.

A autoridade monetária enfrenta desafios para compreender a real dimensão das tarifas impostas pelo presidente americano, Donald Trump, sobre diversos produtos brasileiros. A incerteza paira sobre o momento em que esses efeitos se manifestarão plenamente na economia.

Galípolo destacou que a postura cautelosa dos presidentes de Bancos Centrais em geral dificulta a análise do impacto inflacionário das novas cobranças americanas. Ele explicou que ainda se busca entender a defasagem temporal desses efeitos.

“Seguimos na dúvida para entender o quanto o efeito do tarifaço está defasado e ainda vai chegar”, afirmou Galípolo durante sua participação no Fórum Político e Macro 2025, promovido pela XP Investimentos. Conforme as informações divulgadas, há uma visão predominante no mercado de que o tarifaço representará mais uma mudança no nível de preços do que um processo inflacionário em si.

Tarifaço pode se tornar proteção para o Brasil, diz Galípolo

Contrariando expectativas iniciais, o presidente do BC vislumbra um efeito prejudicial menor do que o esperado. Galípolo mencionou que o que parecia uma desvantagem inicial, com o desenrolar das negociações, pode se transformar em uma proteção para o Brasil.

“Conforme foi crescendo a ideia da tarifa e do Liberation Day, eu acho que a coisa vai dando uma invertida”, observou o presidente do BC. Ele ressaltou a menor dependência das exportações para um único parceiro comercial como um fator positivo.

“Tem uma série de questões ali que passaram a ser vistos como uma proteção para o Brasil”, completou. A Casa Branca já flexibilizou algumas tarifas, retirando a sobretaxa de 40% para importações de carnes, frutas, nozes, cacau, café, chá, especiarias, vegetais, raízes e tubérculos. No entanto, 22% dos produtos brasileiros exportados ainda enfrentam a tarifa de 50%, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Juros altos e mercado de trabalho aquecido: desafios para a inflação

Galípolo reiterou a percepção de que a política monetária tem um efeito lento no combate à inflação. A taxa básica de juros, atualmente em 15% ao ano, o maior patamar desde 2006, é vista como necessária para levar a inflação de volta à meta de 3%, definida pelo CMN.

“Não tem ninguém sentado no Banco Central que não acredita em política monetária. Ela pode demandar um pouco mais de reza ou uma maior insistência, mas ela funciona”, garantiu o presidente do BC. Ele enfatizou que o processo de convergência da inflação tem sido lento.

Mercado de trabalho aquecido reforça postura restritiva

O aquecimento do mercado de trabalho, com a taxa de desemprego em seu menor patamar histórico desde 2012, é outro ponto de atenção para o Banco Central. Galípolo considera que os dados reforçam a necessidade de uma política monetária mais restritiva para conter o avanço dos preços.

“Por diversas métricas, eu acho que é difícil você contestar o mercado de trabalho que se mostra aquecido”, afirmou, associando a queda simultânea da inflação e do desemprego a essa necessidade de cautela.

Selic como principal ferramenta contra a inflação

A elevação da Selic, a taxa básica de juros, é a principal ferramenta utilizada pelo Banco Central para combater o avanço dos preços. Ao encarecer o crédito, a medida visa limitar o consumo e, consequentemente, segurar o avanço do IPCA, o principal índice inflacionário do Brasil.

Com o dinheiro mais caro, a demanda por bens e serviços tende a diminuir, exercendo pressão para baixo sobre a inflação. A persistência dessa estratégia demonstra o compromisso do BC em atingir a meta estabelecida pelo CMN.

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