Ministério recua na flexibilização em aeroportos do Rio, após encontro com o prefeito Eduardo Paes e diz que decisão foi motivada pelo crescimento da aviação e do turismo
O governo federal voltou atrás na tentativa de alterar a capacidade máxima de passageiros do Aeroporto Santos Dumont, em decisão comunicada na terça-feira.
O recuo ocorreu depois de uma reunião entre o prefeito Eduardo Paes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho.
O anúncio muda um plano que, inicialmente, aumentaria o teto de embarques e poderia afetar a dinâmica entre Santos Dumont e o Galeão.
Conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo, com nota do Ministério dos Portos e Aeroportos.
O recuo anunciado pelo ministério
Em nota, o Ministério dos Portos e Aeroportos afirmou, em referência às mudanças, “A medida foi motivada pelo expressivo crescimento da aviação e do turismo no estado do Rio de Janeiro, que levou a uma discussão conjunta acerca da construção de uma agenda estratégica para o estado”, diz a nota.
Antes do encontro, o chefe da pasta, Silvio Costa Filho, havia confirmado em entrevista à GloboNews que o teto de passageiros passaria de 6,5 milhões para 7,5 milhões, negando que a medida afetaria o fluxo no Galeão. Após a reunião, porém, a pasta anunciou o recuo da medida.
Reações políticas e críticas
O prefeito Eduardo Paes criticou publicamente a atuação da Agência Nacional de Aviação Civil e afirmou que “forças obscuras” estariam atuando para “alterar a política bem-sucedida do governo federal de restringir os voos no Aeroporto Santos Dumont para coordenar o sistema de aeroportos do Rio de Janeiro e fortalecer o Aeroporto Internacional do Galeão.”
Paes anunciou o encontro em tom conciliatório, destacando que Silvio Costa Filho “sempre foi um aliado na coordenação dos aeroportos do Rio, implementou as medidas que fortaleceram o Galeão e ampliaram a malha de voos do nosso estado.”, segundo declarações divulgadas após a reunião.
Pressões de setores econômicos e impactos operacionais
Entidades do comércio e da indústria do estado, como Fecomércio-RJ e Firjan, demonstraram preocupação com a proposta original de flexibilização em aeroportos do Rio.
Isaque Ouverney, gerente de infraestrutura da Firjan, afirmou que “O Santos Dumont tendo a vocação para ser um aeroporto de conexão doméstica, uma localização estratégica e o aeroporto internacional, por sua vez, tem a vocação de ser o hub internacional do Rio de Janeiro, transportando não só passageiros, como principalmente cargas”.
O debate mostrou tensão entre a necessidade de ampliar a oferta de voos e o desejo de preservar funções distintas para Santos Dumont e Galeão, com impactos sobre passageiros e logística de cargas.
Próximos passos e agenda
Com o recuo, o governo e a prefeitura concordaram em construir uma agenda estratégica para o estado, segundo a nota do ministério, observando o crescimento do turismo e da aviação.
Fica em aberto a definição de parâmetros técnicos que coordenem a operação entre Santos Dumont e Galeão, e a expectativa é que novas reuniões definam limites e regras sem mudanças abruptas na malha aérea.
A discussão sobre a flexibilização em aeroportos do Rio deve continuar nos próximos dias, com participação do poder público e de entidades de setor privado, para buscar um equilíbrio entre capacidade, segurança e economia.