Videoclipe que honra a memória de Moïse Kabagambe ganha destaque em premiações internacionais e nacionais
A arte como ferramenta de denúncia e reflexão ganha força com o sucesso do videoclipe “Hecatombe”, da banda Fizeram a Elza. A obra, produzida em Santos (SP), presta uma emocionante homenagem a Moïse Kabagambe, congolês assassinado no Rio de Janeiro em janeiro de 2022.
O videoclipe não apenas aborda a trágica história de Moïse, mas também serve como um poderoso manifesto contra o racismo e a discriminação que ainda assolam o Brasil. A banda Fizeram a Elza expressa o desejo de que a arte ajude a cicatrizar feridas e a evitar que tais barbaridades se repitam.
Conforme informação divulgada pelo G1, “Hecatombe” tem recebido merecido reconhecimento em importantes festivais de cinema. A obra já conquistou prêmios no Brasil e em Portugal, demonstrando o impacto de sua mensagem e a qualidade de sua produção. A história de Moïse Kabagambe, que veio ao Brasil como refugiado fugindo da guerra, e foi vítima de agressões após cobrar pagamento atrasado, ressoa através da arte.
Reconhecimento em Portugal e São Paulo
O videoclipe “Hecatombe” foi premiado na categoria de **baixo orçamento** no Mate Festival, uma renomada mostra internacional realizada na cidade de Coimbra, em Portugal. Este reconhecimento internacional valida a força da mensagem e a qualidade artística da produção.
No cenário nacional, o trabalho da banda Fizeram a Elza também foi celebrado. “Hecatombe” conquistou o prêmio de **Melhor Roteiro** no Fest Clip, parte do Festival de Cinema de Santa Gertrudes, em São Paulo. Além disso, a obra foi destaque na Mostra de Curtas da Baixada Santista (SP), reforçando o talento local.
Próximos Passos e a Mensagem da Arte
O sucesso de “Hecatombe” não para por aí. Nesta segunda-feira (1°), o videoclipe concorre na categoria de videoclipe do Rio Webfest, competindo com outras nove produções de diversas partes do mundo. O projeto também foi selecionado para o Festival de Curtas de Bertioga (SP).
Gil Oliveira, guitarrista e um dos fundadores da banda em 2019, expressou a alegria e surpresa com o alcance do projeto. “A gente ficou muito feliz com a qualidade do clipe que foi produzido com muito carinho por talentos da nossa região”, declarou o músico.
Um Dedo na Ferida da Discriminação
A intenção por trás de “Hecatombe” é clara: **expor e combater o racismo e a discriminação** que persistem na sociedade brasileira, mesmo diante de alguns avanços. “Enquanto essas raízes não secarem totalmente, precisamos com a arte colocar o dedo na ferida e lembrar desta história para que ela não se repita”, ressaltou Gil Oliveira.
O videoclipe contou com a participação do rapper Zé Brown e foi produzido por Luan Maciel, através da Produtora e Cia Cangote, em coprodução com Darshan Filmes e Studio 23. O projeto foi contemplado pela Lei Paulo Gustavo de Santos, um importante incentivo à cultura.
A Tragédia de Moïse Kabagambe
Moïse Kabagambe, um jovem congolês de 24 anos, foi brutalmente assassinado em 24 de janeiro de 2022, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Ele havia chegado ao Brasil em 2014 com sua família, buscando refúgio da guerra e da fome em seu país natal.
Moïse trabalhava em um quiosque na praia e, segundo relatos de sua família, foi vítima de uma violenta agressão após ter cobrado o pagamento de dois dias de trabalho que estavam atrasados. Seu corpo foi encontrado amarrado em uma escada, um desfecho trágico para uma vida interrompida pela violência e pelo preconceito.