Projeto com Copilot da Microsoft mostrou alunos do 2º ao 5º explorando rimas, prompts bilíngues e percebendo limites e potencial da IA na alfabetização
A presença da tecnologia nas salas de aula vem reorganizando práticas pedagógicas, estilos de produção e modos de aprender, trazendo desafios para formar escritores críticos e criativos.
No foco da alfabetização, aprender a escrever passa primeiro pela técnica, depois pela capacidade de contextualizar, interpretar e revisar, processos que a tecnologia pode apoiar, sem substituir a intencionalidade do autor.
Em atividades práticas, o uso sensível da inteligência artificial pode ampliar experimentações linguísticas, desde jogos de rimas até a formulação de prompts poéticos em mais de um idioma.
conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo, com dados do IBGE
Do gesto à palavra, técnica e reflexão
No início do percurso, na Educação Infantil, a escrita se constrói com motricidade fina, coordenação visomotora e consciência fonológica, pilares que sustentam a progressão para textos mais complexos.
Esses movimentos, que incluem rascunho, leitura e reescrita, são essenciais para que as crianças desenvolvam senso crítico sobre o que escrevem, mesmo quando ferramentas digitais oferecem atalhos.
Trabalhar rimas, jogos de palavras e clareza argumentativa ajuda os alunos a entender que escrever é um processo contínuo, e não apenas um produto pronto.
O caso prático, Copilot e a cultura Maker
No Colégio Sesi Internacional Portão, alunos do 2º e 3º anos trabalharam com quadrinhas e rimas, enquanto os 4º e 5º anos avançaram para a criação de prompts bilíngues, usando o Copilot da Microsoft como instrumento de experimentação.
As atividades mostraram que as crianças desenvolveram sensibilidade para a musicalidade da língua, e frequentemente apontavam quando “essa sugestão não combina com o tema, som”, percebendo as nuances que um algoritmo pode não captar.
Ao explorar a escrita com apoio de IA, os estudantes compreenderam que pequenas escolhas alteram ritmo, estilo e intenção comunicativa, ganhando segurança para experimentar e revisar.
Limites da IA, formação de autores e implicações futuras
Os educadores notaram também que as crianças passaram a reconhecer os limites da IA, entendendo que a ferramenta sugere soluções, mas não substitui o processo reflexivo de escrever.
Enquanto o IBGE registra um crescimento de 163% no uso da Inteligência Artificial na indústria brasileira, iniciativas escolares mostram que integrar tecnologia com sensibilidade pedagógica permite fortalecer a literacia, em vez de enfraquecê-la.
Formar autores conscientes exige práticas que valorizem rascunho, leitura e reescrita, e ao mesmo tempo, o uso crítico de ferramentas digitais que ampliem possibilidades criativas.
Pensamento humano como centro da alfabetização
Em um cenário de mudanças constantes, preparar crianças para o futuro passa por ensinar a pensar, imaginar e questionar, habilidades que permanecem entre as mais humanas.
Quando a IA na alfabetização é incorporada com propósito e reflexão, ela funciona como um laboratório de linguagem, onde alunos experimentam e entendem limites, potencialidades e responsabilidades no uso da tecnologia.
Essa formação é indispensável, tanto para o trabalho do futuro, quanto para as relações pessoais, reafirmando a centralidade da criatividade e do pensamento crítico na educação básica.