Com Selic em 15% ao ano, IPCA em 4,46% em novembro e projeção de 4,36% para o ano, a inflação 2025 deve ficar no intervalo de tolerância da meta
A inflação brasileira surpreendeu o mercado e caminha para fechar 2025 dentro do intervalo de tolerância da meta, após meses de pressão. O arrefecimento é atribuído a uma combinação de juros elevados, safra agrícola recorde e estratégias para reduzir o impacto das sobretaxas dos Estados Unidos.
O movimento foi alimentado por menor demanda interna, oferta abundante de alimentos e uma moeda mais estável frente ao dólar, fatores que reduziram repasses de custos às famílias.
Os dados e análises a seguir estão organizados para explicar por que a inflação 2025 deve convergir para as metas e quais riscos ainda podem reagir no curto prazo, conforme informação divulgada pelo UOL.
Painel de números, projeções e o quadro atual
O IPCA acumulado em 12 meses fechou novembro em 4,46%. O Banco Central reduziu a chance de estouro da meta de 71% para 26%, com a expectativa de que a inflação fechará o ano em 4,4%. A mediana das expectativas do mercado financeiro indica que o índice fechará 2025 em 4,36%, uma trajetória que considera uma variação mensal de 0,42% em dezembro. Para que a meta seja ultrapassada, a alta deste mês precisaria superar 0,57%.
Juros altos, Selic e freio na demanda
O aperto monetário foi decisivo, com a taxa Selic no maior patamar desde 2006. Em palavras atribuídas a especialistas, “Manter a Selic em 15% ao ano ajudou a desacelerar a economia e reduzir pressões de demanda, especialmente em serviços e bens industriais”, afirma Reginaldo Nogueira, economista e diretor nacional do Ibmec. A combinação de menor consumo das famílias e desaceleração do crédito ajudou a conter reajustes de preços.
Tarifaço dos EUA, comércio e impacto doméstico
As sobretaxas aplicadas pelos EUA sobre produtos brasileiros não se traduziram em alta generalizada dos preços internos. “No caso de produtos como café, carnes, ovos e pescados, a forte produção doméstica e a diversificação de mercados ajudaram a reduzir o repasse integral das sobretaxas aos preços internos”, afirma Gustavo Casseb Pessoti, do Cofecon. Ainda assim, “resquícios ainda podem existir em itens como pescados e ovos, onde as taxas não foram totalmente eliminadas, mas o efeito geral foi mais contido”, avalia Nogueira.
Além disso, a moeda norte-americana recuou mais de 10% ante o real neste ano, contribuindo para a desinflação ao reduzir pressões sobre matérias-primas e insumos importados.
Safra recorde, alimentos e perspectivas para 2026
A produção agrícola elevada exerceu papel relevante na queda dos preços de alimentos, com o grupo de alimentação e bebidas registrando cinco variações negativas desde junho. A oferta ampla de grãos e a ração mais barata ajudaram a conter os preços de cereais, derivados de soja e carnes, segundo especialistas. “O clima favorável ajudou muito”, afirma Nogueira.
A tendência deve seguir no início de 2026, com colheita no pico e bandeiras tarifárias de energia mais favoráveis, embora haja riscos. Serviços podem pressionar a inflação por conta do mercado de trabalho ainda aquecido, e custos administrados, como combustíveis, energia elétrica e planos de saúde, podem influenciar a trajetória dos preços.
Riscos e conclusão
O cenário é de convergência gradual da inflação 2025 para o centro da meta, sustentado por juros altos, safra recorde e menor pressão cambial, mas vulnerabilidades persistem, especialmente climáticas e cambiais. Policymakers e agentes econômicos devem acompanhar sinais de repasses indiretos de custos e a dinâmica dos preços de serviços, para evitar surpresas no horizonte próximo.