Inflação oficial em novembro surpreende e fecha ano abaixo da meta, indicando cenário favorável para corte de juros
A inflação oficial do país, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apresentou uma taxa de 0,18% em novembro. Este resultado, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é um sopro de otimismo para a economia brasileira.
O principal destaque é que o acumulado dos últimos 12 meses atingiu 4,46%, ficando pela primeira vez desde setembro abaixo do teto da meta de 4,5% estabelecida pelo Banco Central. Essa desaceleração reforça os argumentos para uma possível redução da taxa básica de juros, a Selic, que está em pauta na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) nesta quarta-feira.
O índice de novembro veio abaixo das projeções feitas pelo mercado financeiro, o que intensifica a expectativa por uma postura mais branda do Banco Central em relação à política monetária. A queda na inflação é vista como um sinal de que as medidas anteriores para conter os preços estão surtindo efeito, abrindo espaço para estímulos econômicos.
Despesas Pessoais e Habitação Impulsionam Inflação, Mas Outros Setores Seguram o Índice
Segundo o IBGE, cinco dos nove grupos pesquisados registraram alta em novembro. Destaque para despesas pessoais, com avanço de 0,77%, e habitação, que subiu 0,52%. Ambos os grupos contribuíram com 0,08 ponto percentual cada para o IPCA do mês.
Por outro lado, a inflação foi contida por quedas em outros segmentos importantes. Artigos de residência apresentaram retração de 1%, comunicação recuou 0,2%, saúde e cuidados pessoais tiveram queda de 0,04%, e o grupo de alimentação e bebidas registrou uma leve deflação de 0,01%.
Alimentação em Casa Continua em Queda, Impactada por Tomate e Leite
O setor de alimentação no domicílio mostrou uma deflação expressiva de 0,2%, marcando o sexto mês consecutivo de queda. Itens essenciais como tomate (-10,38%), leite longa vida (-4,98%) e arroz (-2,86%) tiveram recuos significativos em seus preços.
Apesar disso, o grupo de alimentação e bebidas como um todo encerrou novembro com variação negativa de 0,01%. O gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, ressaltou que, mesmo com aumentos em alguns itens como óleo de soja e carnes, as quedas em outros produtos foram suficientes para puxar o grupo para baixo.
Black Friday e Passagens Aéreas: Fatores de Influência na Inflação de Novembro
A Black Friday teve um impacto notável em alguns setores, especialmente em artigos de residência. O segmento registrou a maior queda para novembro desde o início do Plano Real, evidenciando a influência de promoções em datas específicas.
Em contrapartida, as passagens aéreas foram um dos principais vilões da inflação em novembro, com um aumento de 11,9%. Essa alta, que respondeu sozinha por 0,07 ponto percentual do IPCA, é atribuída à maior demanda por viagens e aos reajustes sazonais típicos do fim de ano.
Pressão por Corte de Juros Aumenta com Desaceleração da Inflação
A divulgação do IPCA ocorre no mesmo dia da última reunião do ano do Copom, que mantém a taxa Selic em 15% desde junho. O Banco Central iniciou o ciclo de alta de juros em setembro de 2024 visando o controle da inflação.
Agora, o governo e o setor produtivo intensificam a pressão por cortes na Selic. Contudo, analistas alertam que a autoridade monetária deve agir com cautela, considerando as incertezas fiscais e as pressões inflacionárias ainda presentes em alguns grupos do IPCA, mesmo com a desaceleração geral.