Influenciadores relatam propostas pagas para atacar o Banco Central e a Febraban, com pico de mensagens entre 26 e 29 de dezembro, e cláusulas de confidencialidade envolvidas
Influenciadores com grandes audiências nas redes sociais afirmam ter sido procurados para uma campanha contra o BC que buscava desqualificar a liquidação do Banco Master.
Alguns chegaram a receber propostas com contrato de confidencialidade e promessa de pagamento de “milhares de reais“, segundo relatos publicados na imprensa.
Os casos, o padrão de postagens e o efeito nas instituições estão sendo apurados por reportagens que investigam a operação, conforme informações divulgadas pelo jornal O Globo, pela Gazeta do Povo e pelo Estado de S. Paulo.
Como os influenciadores foram abordados
Segundo a reportagem do jornal O Globo, o vereador de Erechim (RS) Rony Gabriel (PL), que tem mais de 1,5 milhão de seguidores, foi procurado e chegou a assinar um contrato de confidencialidade para acessar termos da proposta.
Rony Gabriel disse que a proposta prometia remuneração de “milhares de reais“, sem especificar valores exatos, e que o objetivo declarado seria blindar o empresário Daniel Vorcaro e aliados políticos, caso contrário haveria risco de queda conjunta, segundo ele em vídeo no Instagram citado pela imprensa.
A influenciadora Juliana Moreira Leite, com cerca de um milhão de seguidores, também relatou ter recebido propostas semelhantes e afirmou publicamente que recusou as ofertas.
Padrão de ataques e reação de entidades
A Federação Brasileira de Bancos, Febraban, detectou um aumento incomum nas menções relacionadas à liquidação do Master, com um pico de ataques em um intervalo de 36 horas, entre os dias 26 e 29 de dezembro, estendendo-se até 5 de janeiro, conforme levantamento referido pelo Estado de S. Paulo.
Em nota à Gazeta do Povo, a Febraban disse que houve um “volume atípico” de menções e que apura se as publicações configuram um ataque coordenado, ao mesmo tempo em que informou ter observado diminuição no volume e manteve monitoramentos para consumo interno.
As publicações visavam, além do Banco Central, atacar nomes como Renato Dias Gomes, diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC, com peças de desinformação que diziam, por exemplo, “Mais rápido do que uma pizza: Renato Gomes liquida banco em 40 minutos e joga conta bilionária no seu colo”.
Contexto da liquidação e desdobramentos institucionais
O episódio ocorre após a liquidação extrajudicial do Banco Master, decisão do Banco Central que motivou uma inspeção determinada pelo Tribunal de Contas da União, iniciativa do ministro Jhonatan de Jesus, para reconstruir o processo decisório e avaliar coerência e proporcionalidade na medida.
O Banco Master está alvo de investigação da Polícia Federal por suposta venda de carteiras de crédito fraudulentas ao Banco de Brasília, BRB, operação que, conforme reportagens, pode atingir R$ 12 bilhões em valores envolvidos e que levou à intervenção do BC.
Houve também notícia sobre a aprovação do BRB, controlado majoritariamente pelo Governo do Distrito Federal, para a compra de 58% do capital do Banco Master, valor estimado em R$ 2 bilhões, fato mencionado nas reportagens que acompanharam o caso.
Impactos políticos e contratos descobertos
As investigações e as publicações nas redes alimentaram reações políticas, e a operação da Polícia Federal trouxe à tona provas diversas, entre elas um contrato citado pela imprensa que envolve a esposa do ministro Alexandre de Moraes, com previsão de pagamento de R$ 129 milhões em três anos, segundo documentos apreendidos mencionados nas matérias.
O episódio gerou pedidos de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito e movimentos da oposição, ao mesmo tempo em que o TCU afirmou que, no momento, não cabe decisão cautelar para reverter a liquidação, sem descartar essa possibilidade.
Até o momento, o Banco Central não se manifestou publicamente sobre as denúncias de tentativa de desinformação, e a reportagem não conseguiu contato com todos os influenciadores citados nem com representantes do Banco Master, conforme as fontes consultadas.