A indicação de Jorge Messias para o STF: um suspense fabricado ou um sinal de mudança?
Jorge Messias, atual Advogado-Geral da União, caminha para se tornar ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). A indicação, feita pelo presidente Lula, será submetida à aprovação do Senado Federal, que realizará a sabatina para avaliar o notório saber jurídico e a reputação ilibada do indicado.
No entanto, a atmosfera de expectativa que cerca a aprovação de Messias, assim como ocorreu com outros indicados recentes, levanta questionamentos sobre a genuinidade desse suspense. O jornalista Paulo Polzonoff Jr., em artigo publicado, sugere que essa tensão é, em grande parte, fabricada para manter o público engajado.
A estratégia, segundo Polzonoff Jr., seria criar uma falsa esperança de que o Senado poderia oferecer um contraponto ao Executivo e ao Judiciário, algo que, historicamente, não tem se concretizado. A demora na sabatina, vista por alguns como um movimento político, pode ser apenas um recurso para intensificar essa percepção de disputa.
O histórico de aprovações e o “jogo jogado”
O jornalista aponta que, em 120 anos, o resultado da sabatina no Senado para indicações ao STF tem sido consistentemente a vitória do indicado. Essa trajetória sugere que a aprovação de Jorge Messias, apesar do encenação de suspense, é um desfecho praticamente garantido. A percepção é que o Senado, em muitos casos, atua de forma submissa ao Executivo.
Essa dinâmica levanta a questão sobre os reais motivos por trás da criação de um clima de apreensão. Seria uma cortina de fumaça para desviar a atenção de outras questões, como as investigações envolvendo o Banco Master, ou uma forma de garantir a lealdade futura de Messias ao Supremo?
A economia da distração e o papel da imprensa
Uma hipótese levantada é a da “economia da distração”. A imprensa, segundo Polzonoff Jr., necessita manter o público entretido e engajado, sustentando a ilusão de que mudanças drásticas podem ocorrer a qualquer momento. A transformação de uma aprovação previsível em um evento dramático seria uma ferramenta para atingir esse objetivo.
Essa tática, no entanto, pode ser prejudicial, pois sequestra a atenção do público de questões mais relevantes. O filósofo Byung-chul Han, citado no artigo, argumenta que a transcendência reside naquilo em que depositamos nossa atenção e amor. Deixar-se levar por um suspense artificial em torno de decisões políticas pode ser um desperdício de energia mental.
A previsão: aprovação de Jorge Messias é um fato consumado
Diante desse cenário, a previsão é clara: Jorge Messias será aprovado pelo Senado e assumirá uma cadeira no STF. A expectativa é que sua permanência no cargo se estenda por muitos anos, possivelmente até 2055, reforçando a ideia de um ciclo previsível nas indicações para a mais alta corte do país.
O autor do artigo, Paulo Polzonoff Jr., reconhece o risco de sua previsão se mostrar equivocada caso o Senado decida agir de forma surpreendente. Contudo, ele considera esse risco baixo e válido para expor o “suspense interminável” que envolve as decisões de poder, incentivando o leitor a voltar a atenção para o que realmente importa, longe do “teatro canastrão da busca pelo poder transitório e finito”.
O “Bessias” e a elite jurídica brasileira
O apelido “Bessias”, associado a Jorge Messias, é visto como um retrato da elite jurídica brasileira. A indicação e a subsequente aprovação de figuras com histórico ligado a partidos políticos específicos, como o PT, levantam debates sobre a imparcialidade e a independência do Poder Judiciário.
A sabatina no Senado, com suas perguntas que podem variar do óbvio ao absurdo, tem o papel formal de aferir a capacidade do indicado, mas a decisão final, segundo a análise apresentada, parece estar mais atrelada a acordos políticos do que a uma avaliação rigorosa de mérito.