Com a Selic em 15% e mudanças nas regras do rotativo, a taxa média do crédito livre para famílias subiu para 59,4% ao ano, segundo o Banco Central
O juro do cartão de crédito rotativo voltou a subir com força em novembro, alcançando níveis que fogem da prática comum entre outras modalidades de crédito.
Consumidores que usam o rotativo, ou que pagam apenas o mínimo da fatura, passam a enfrentar encargos muito elevados, enquanto a taxa básica segue em patamar recorde para os últimos anos.
As informações e os números sobre esse movimento foram apurados em relatório do Banco Central e divulgados pela Gazeta do Povo, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.
Dados oficiais, aumentos e comparativos
De acordo com o levantamento de Estatísticas Monetárias e de Crédito, o juro do cartão de crédito rotativo voltou a disparar e alcançou 440,5% ao ano em novembro, segundo dados do Banco Central divulgados nesta sexta (26). Esse patamar mantém o rotativo como a modalidade mais cara do sistema.
O relatório também aponta que as operações de crédito livre para pessoas físicas registraram alta em outras linhas. O crédito pessoal não consignado registrou aumento de 5,5 pontos percentuais, ficando em 106,6% ao ano, e o cartão de crédito parcelado avançou 3,2 pontos percentuais, para 181,2% ao ano.
Especificamente, o cartão de crédito rotativo teve alta de 0,7 ponto percentual em novembro, mesmo após mudanças regulatórias recentes, porque a limitação imposta não altera a taxa pactuada no momento da contratação, segundo o levantamento.
Impacto da Selic e do spread bancário
A elevação geral dos juros acompanhou o ciclo de alta da taxa básica, com a Selic, fixada em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária, no maior nível desde julho de 2006, quando atingiu 15,25% ao ano. Juros mais altos encarecem o crédito e tendem a reduzir o consumo, objetivo perseguido pelo Banco Central para conter a inflação.
Além disso, o spread bancário também avançou, com alta de 0,3 ponto percentual no mês e de 2,5 pontos percentuais em 12 meses, indicador que reflete a diferença entre o custo de captação dos bancos e o que é cobrado do cliente, incluindo inadimplência, impostos, custos operacionais e lucro das instituições.
No agregado, a taxa média de juros do crédito livre para as famílias subiu 0,9 ponto percentual em novembro, e, em 12 meses, o avanço foi de 6,2 pontos percentuais, levando a taxa para 59,4% ao ano, conforme os dados do Banco Central.
Como funciona o rotativo e o risco para o consumidor
O crédito rotativo é acionado quando o consumidor paga menos que o valor total da fatura, quitando apenas o mínimo, o que transforma o saldo devedor em um empréstimo. A partir daí, passam a incidir juros elevados sobre o valor não pago dentro do prazo de 30 dias.
Após 30 dias, a dívida migra para o cartão parcelado, modalidade que também apresentou aumento em novembro, embora acumule queda de 2 pontos percentuais em 12 meses, segundo o levantamento do Banco Central.
Mesmo com a limitação imposta desde janeiro do ano passado, os juros do rotativo seguem variando porque a regra não interfere na taxa pactuada no momento da contratação, deixando consumidores expostos a encargos altos se não quitarem integralmente a fatura.
O que muda e recomendações práticas
Com juros tão elevados, especialistas recomendam priorizar o pagamento integral da fatura sempre que possível, evitar transformar o saldo em rotativo e negociar condições de parcelamento com menor taxa quando necessário.
Para quem recorre ao crédito pessoal, a alta recente ressalta a importância de comparar taxas e considerar alternativas como empréstimos consignados, portabilidade de dívida ou renegociação, diante das diferenças entre as modalidades citadas pelo Banco Central.
Os dados citados são do Banco Central e foram divulgados pela Gazeta do Povo, conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo.