Lula busca articulação política em almoço com senador Weverton Rocha, relator da indicação de Jorge Messias ao STF, em meio a tensões com Davi Alcolumbre.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) buscou nesta segunda-feira (1º) estreitar laços com o senador Weverton Rocha (PDT-MA), relator na CCJ do Senado da indicação de Jorge Messias, atual Advogado-Geral da União, para o Supremo Tribunal Federal (STF).
O almoço, realizado no Palácio da Alvorada, é visto como uma estratégia do Planalto para **amenizar a crise institucional** com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). A expectativa é de que Rocha apresente um parecer favorável à nomeação de Messias já nesta quarta-feira (3).
A manobra ocorre em um momento de **escalada de tensão entre os Poderes**. Alcolumbre, que defendia a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), reagiu aprovando a aposentadoria especial para agentes de saúde, medida vista como uma “pauta-bomba” fiscal, e defendendo a derrubada de vetos na Lei Geral do Licenciamento Ambiental.
A sabatina de Jorge Messias foi marcada para a próxima quarta-feira (10), data que, segundo analistas, **diminui o tempo** para a articulação do indicado com os senadores antes da votação, o chamado “beija-mão”. Alcolumbre nega que suas ações sejam retaliação ao governo.
Alcolumbre critica demora e acusa interferência
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, expressou sua insatisfação em uma nota dura divulgada neste domingo (30). Ele criticou a **demora do governo em enviar a mensagem oficial** ao Senado formalizando a indicação de Jorge Messias, mesmo após a publicação no Diário Oficial da União no dia 20. Segundo Alcolumbre, a atitude é “ofensiva não só ao Presidente do Congresso Nacional, mas a todo o Poder Legislativo”.
Alcolumbre acusou o Executivo de buscar “interferir indevidamente no cronograma estabelecido pela Casa, prerrogativa exclusiva do Senado Federal”. Ele afirmou que a demora causa “perplexidade ao Senado” e que o governo estaria tentando criar uma “falsa impressão” de que as divergências são resolvidas por “ajuste de interesse fisiológico, com cargos e emendas”.
Governo rebate e defende relação institucional
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), reagiu às críticas de Alcolumbre, afirmando que o governo tem “o mais alto respeito e reconhecimento” pelo senador. No entanto, ela rebateu a acusação de interferência, ressaltando que o governo Lula jamais consideraria rebaixar a relação institucional com o senador a “qualquer espécie de fisiologismo ou negociações de cargos e emendas”.
Gleisi Hoffmann destacou que o governo Lula não busca desqualificar quem diverge de suas ideias e que a tentativa de “desmoralizar o outro para fins de autopromoção” não condiz com a realidade. Ela enfatizou a importância do respeito mútuo entre os Poderes e o cumprimento de seus papéis constitucionais.
Cronograma e articulação para a sabatina de Messias
Apesar das divergências, o governo demonstra confiança na aprovação de Jorge Messias. A **data marcada para a sabatina**, 10 de abril, é considerada dentro do prazo habitual para indicações ao STF, permitindo que a definição ocorra ainda em 2025. O indicado por Lula iniciou sua campanha de articulação com os senadores na semana passada, buscando apoio para a votação.
O Planalto busca **manter o diálogo aberto** com o relator Weverton Rocha, visando garantir um parecer favorável e, consequentemente, a aprovação do nome de Messias para o STF. A articulação política em torno da indicação reflete a importância do Supremo na agenda do governo Lula.