Investigações da Polícia Federal apontam conexão de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, com esquema de fraudes em benefícios do INSS, levantando suspeitas sobre seu envolvimento.
O nome de Fábio Luís Lula da Silva, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conhecido como Lulinha, surgiu de forma direta nas investigações da Polícia Federal. A Operação Sem Desconto apura um esquema de fraudes em descontos associativos sobre benefícios do INSS, e uma anotação em agenda apreendida pela PF faz referência direta a Lulinha.
A menção, encontrada ao lado de informações sobre credenciais para acesso a um camarote em Brasília, levanta questões sobre a extensão do envolvimento do filho do presidente no caso. A Polícia Federal detalha que a anotação estava em um papel dentro de um envelope apreendido durante a primeira fase da Operação Sem Desconto, em abril de 2025.
O envelope continha ingressos para um show em Brasília e menção a um flat no condomínio Brisas do Lago. Conforme documentos obtidos pelo Poder360, a anotação na agenda diz: “Mínimas informações possíveis. CPF – Fábio (filho Lula). Terça a quinta-feira. 03 a 05/12. Contato Paulo Marinheiro – ok Gaspar passa contato – ok Cristina – ok”. Abaixo, indicava: “Pegar com Antônio”. Essa informação foi divulgada conforme documentos obtidos pelo Poder360.
Diálogos Interceptados Revelam Preocupação com Apreensão de Envelope
Uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizou uma nova fase da Operação Sem Desconto cita um diálogo interceptado entre Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado como principal articulador das fraudes, e a empresária Roberta Luchsinger, amiga próxima de Lulinha. Nas mensagens, Roberta demonstra preocupação com a apreensão do envelope.
“E só para você saber, acharam um envelope com nome do nosso amigo no dia da busca e apreensão”, escreveu Roberta ao Careca do INSS. A resposta dele foi “Putz”. Em diálogos posteriores via WhatsApp, Roberta teria aconselhado o interlocutor a se desfazer de provas, dizendo “Joga fora”, ao que ele respondeu “Já fiz isso”. Ela também afirmou: “Conte com a gente”. Essas informações foram obtidas conforme documentos da CPMI do INSS.
Indícios de Aproximação e Uso de Empresas de Fachada
Além das mensagens, outros indícios apontam para uma aproximação entre Roberta Luchsinger e Lulinha, incluindo viagens com passagens compradas em conjunto. Conversas de WhatsApp reproduzidas em documentos mostram referências a Lulinha como “nosso amigo” ou “meu amigo”. Em um trecho, aparece: “Mas é mais do mesmo. Vão tentar jogar o Fábio dentro disso”. Em outro: “Meu amigo gostou”, embora não fique claro a que se refere.
Segundo a Polícia Federal, Roberta teve participação significativa nos negócios do Careca do INSS, utilizando empresas de fachada e tentando ocultar provas. A corporação entende que ela seria o principal elo entre o Careca e Lulinha. As investigações indicam que Roberta e o Careca discutiram formas de criar esquemas para “esquentar o dinheiro” obtido com as fraudes contra aposentados e pensionistas. Relatórios do Coaf indicam que Roberta recebeu R$ 1,5 milhão do Careca do INSS, em cinco pagamentos de R$ 300 mil cada, quantias que, segundo a decisão do STF, teriam sido feitas para o “filho do rapaz”, expressão usada para se referir a Lulinha. A investigação apurou que a relação entre Roberta e o Careca começou no fim de 2024, quando os valores dos esquemas de descontos associativos irregulares chegaram a níveis recordes.
Defesa Alega Descontextualização e Presidente Lula Afirma Rigor nas Investigações
O advogado de Roberta Luchsinger, Bruno Salles, afirmou que o conteúdo das investigações está completamente descontextualizado e que será esclarecido oportunamente. Ele argumentou que Roberta tem relações pessoais com a família de Lulinha há muitos anos e que seus negócios com o Careca do INSS teriam escopo operacional limitado, focando em “prospecção e intermediação de negócios com empresas nacionais e estrangeiras”.
Marco Aurélio de Carvalho, ex-advogado e amigo de Lulinha, disse que o filho do presidente não contratou advogado pois não é alvo formal das investigações e classificou as mensagens como “absolutórias”, alegando que as citações seriam “fofocas, vilanias e tentativas de mais uma vez envolver o nome do filho do presidente em escândalos”.
Ao ser questionado sobre as referências ao nome de seu filho nas investigações, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que ninguém ficará acima da lei: “ninguém ficará livre das apurações. Se tiver filho meu metido nisso, ele será investigado”, declarou, ressaltando que a apuração será conduzida com seriedade. Há um debate interno na Polícia Federal sobre aprofundar ou não a apuração sobre a participação de Lulinha, com uma parte defendendo maior investigação e outra considerando os indícios fracos.