Almoço privado na Casa Branca, declaração breve à imprensa e encontro com senadores no Capitólio, María Corina Machado afirmou confiar em Trump e levou sua medalha
María Corina Machado se encontrou nesta quinta-feira com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um encontro privado na Casa Branca, sem acesso da imprensa, e fez breves comentários ao sair.
Ao deixar a residência oficial, a líder opositora declarou, “Saibam que contamos com o presidente Trump pela liberdade da Venezuela”, e disse ter presenteado o presidente com sua medalha de ouro do Prêmio Nobel da Paz, afirmou a Reuters.
Após a reunião, ela seguiu ao Capitólio para conversar com senadores americanos, e voltou a pedir apoio internacional para a transição na Venezuela, conforme informações divulgadas pela Reuters e pela agência EFE.
O encontro na Casa Branca e a medalha do Nobel
A imprensa não teve acesso à reunião entre María Corina Machado e Trump, que incluiu um almoço privado, segundo a Reuters. A opositora afirmou ter “presenteado” Trump com sua medalha de ouro do Nobel, “em reconhecimento ao seu compromisso singular com a nossa liberdade”, disse ela à saída.
Não está claro se o presidente americano aceitou o presente. A Fundação Nobel publicou no X que “uma medalha pode mudar de dono, mas o título de laureado com o Prêmio Nobel da Paz não pode”, reforçando que María Corina permanece como vencedora da premiação do ano anterior.
Declarações e pedido de apoio aos senadores
No Congresso, María Corina Machado falou sobre o que classificou como sofrimento do povo venezuelano sob o chavismo e citou números e tentativas de diálogo que, segundo ela, fracassaram. Em trecho divulgado por seu partido, Vente Venezuela, ela afirmou, “Peço que reflitam sobre tudo o que passamos: 26 anos [de chavismo], 35 eleições, milhões de pessoas nas ruas. Algumas foram assassinadas. Adolescentes e crianças. Mulheres agredidas sexualmente simplesmente por defenderem seu voto. Dezessete tentativas de diálogo, todas fracassadas”.
Ela afirmou ainda que, quando a Venezuela for livre, milhões de venezuelanos retornarão por vontade própria, e que há esperança para o futuro, conforme os trechos divulgados por Vente Venezuela e reportados pela Reuters.
Reações e posicionamento de Trump
O presidente americano ainda não se pronunciou publicamente sobre o encontro com María Corina Machado. Em entrevista coletiva no mesmo horário, a secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que Trump esperava “uma discussão boa e positiva com a senhora Machado”, segundo a Reuters.
Na sequência dos acontecimentos na Venezuela, Trump comentou em relação à liderança do país que seria “muito difícil” para María Corina “ser a líder”, porque, segundo ele, ela “não tem o apoio nem o respeito [necessários] dentro do país”. Ao mesmo tempo, o presidente americano tem mantido negociações com a ditadora interina Delcy Rodríguez, a quem chamou de “pessoa fantástica”, segundo entrevistas e reportagens citadas pela EFE.
Contexto regional e próximos passos
O encontro ocorre em meio a movimentos militares e diplomáticos recentes envolvendo a Venezuela. Após a captura do ditador Nicolás Maduro em uma operação militar americana no início do mês, a cena política venezuelana segue volátil, e os EUA ampliam interlocuções com diferentes atores do país.
María Corina Machado busca consolidar apoio internacional para uma transição política, enquanto dúvidas permanecem sobre quem terá legitimidade interna e apoio popular para liderar o país no pós-conflito. Fontes consultadas para esta reportagem incluem a Reuters, a agência EFE e comunicações do partido Vente Venezuela.