Apuração aponta que a Maridt Participações, com capital simbólico de R$ 150 e criada a partir de um CNPJ de prateleira, foi transferida aos irmãos de Toffoli antes de vendas milionárias
A Maridt Participações, empresa que o ministro Dias Toffoli admitiu ter sido sócio junto de irmãos, nasceu a partir de um modelo de empresa pronta, conhecido como CNPJ de prateleira, e manteve um capital social de apenas R$ 150.
O formato facilita abertura e transferências sem exigências presenciais em bancos, segundo o empresário responsável pela operação, e contrasta com transações milionárias envolvendo cotas de um resort no Paraná.
Os detalhes da formação, transferência e das vendas recentes foram relatados em reportagem, conforme apuração do Estadão.
Como a empresa foi criada e transferida
Segundo a apuração, a companhia inicial chamada Plataforma 27S Participações foi aberta em agosto de 2020 e, pouco mais de um mês depois, transferida aos irmãos de Toffoli, José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli. Em dezembro de 2020, já com o nome Maridt, a empresa passou a integrar negócios ligados ao resort Tayayá, em Ribeirão Claro, no interior do Paraná.
O registro oficial da transferência foi concluído em janeiro de 2021, consolidando a entrada da família no empreendimento. A gestão formal aparecia em nome dos irmãos, modalidade que, por se tratar de uma sociedade anônima, permite maior sigilo sobre os acionistas.
Capital simbólico e justificativas do intermediário
Apesar de operações envolvendo milhões, a Maridt mantinha desde a origem um capital social simbólico de R$ 150. O advogado e empresário André Luis Fonseca Sérgio, responsável pela estrutura, explicou o motivo prático da escolha, afirmando, “Começar uma S.A (Sociedade Anônima) do zero é mais complicado do que se tiver uma pronta no mercado”.
Ele também justificou a praticidade do modelo para escapar de exigências presenciais em bancos, e disse, “O maior trabalho é ir depositar 10% do capital social… às vezes o acionista não tem tempo para ir fazer isso”. Sobre a burocracia, afirmou, “Não é tão longo… o problema é que tem que levar as pessoas lá”.
Vendas, valores e outros envolvidos
Meses após a entrada dos irmãos, parte da participação da Maridt no resort foi vendida ao fundo Arllen, do empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao extinto Banco Master. Outra parte foi negociada em 2025 com o empresário Paulo Humberto Barbosa, da PHD Holdings, em transação reportada de R$ 3,5 milhões.
Além do empreendimento em Ribeirão Claro, a Maridt teve participação em unidade do grupo Tayayá na cidade de Porto Rico, no Paraná, ao lado de outros investidores, entre eles o apresentador Carlos Massa, o Ratinho. A sede aparece registrada em uma casa simples em Marília, no interior de São Paulo.
Posicionamento de Toffoli e implicações
Em nota divulgada após outras revelações, o ministro Dias Toffoli confirmou a sociedade com os irmãos e citou que a legislação permite que magistrados sejam sócios e recebam dividendos, desde que não atuem na gestão. Ele não comentou diretamente o uso do CNPJ de prateleira nem os detalhes da abertura da empresa.
Funcionários do resort chegaram a tratar o ministro como dono, segundo apurações, o que ampliou o interesse público sobre a natureza das participações e sobre a diferença entre o capital social simbólico e os valores movimentados nas vendas de cotas.
O espaço segue aberto para manifestações e para eventuais complementos de informação por parte dos envolvidos.