Focus aponta IPCA a 3,91% e Selic a 12,13% para fim de 2026, queda de tarifas nos EUA pode aliviar pressões externas, e Caged sinaliza criação de 84 mil vagas formais
O mercado financeiro revisou para baixo suas projeções para 2026, com redução nas expectativas de inflação e juros, e atenção voltada a decisões externas que podem afetar a economia brasileira.
As mudanças nas previsões impactam a trajetória da Selic, do câmbio e das condições para investimento, enquanto os dados de emprego serão observados para medir recuperação do mercado de trabalho.
Os números e decisões citados a seguir foram divulgados em levantamentos e notícias recentes, conforme informação divulgada pelo UOL.
Redução nas projeções do Focus e implicações domésticas
Segundo o Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central, a estimativa para o IPCA em 2026 passou de 3,95% para 3,91%, e a Selic esperada ao fim do mesmo ano recuou de 12,25% para 12,13%.
Esses ajustes indicam que o mercado aposta em um ciclo de cortes mais intenso ao longo de 2026, o que tende a reduzir o custo do crédito e influenciar decisões de consumo e investimento.
O relatório também revisou o câmbio projetado para o fim de 2026, de R$ 5,50 para R$ 5,45, e elevou levemente a previsão do PIB de 1,80% para 1,82%.
Decisão da Suprema Corte dos EUA sobre tarifas e efeito externo
A determinação da Suprema Corte dos EUA que derrubou tarifas aplicadas na gestão anterior vem repercutindo nos mercados, por reduzir pressões inflacionárias globais e custos para importadores.
Para o Brasil, a queda do chamado “tarifaço” americano pode aliviar parte da pressão sobre preços ao consumidor e insumos industriais, contribuindo para a trajetória mais branda da previsão de inflação.
Indicadores a acompanhar: IPCA-15, PPI dos EUA e Caged
O calendário econômico traz leitura do IPCA-15 de fevereiro, cuja expectativa é de alta, e o PPI (índice de preços ao produtor) dos EUA de janeiro, que pode influenciar a trajetória dos juros globais.
No front doméstico, o Caged de janeiro deve mostrar a criação de 84 mil vagas formais, número que ajudará a avaliar se o mercado de trabalho acompanha a melhora das condições econômicas.
O que muda para investidores e para a economia
Com projeções de inflação e juros menores, investidores podem recalibrar portfólios, buscando alternativas de retorno em renda fixa e variável conforme o cenário de cortes se confirme.
Para empresas e consumidores, a expectativa de juros mais baixos e câmbio um pouco mais estável pode reduzir custos de financiamento e ajudar na retomada de consumo, desde que os dados de emprego e atividade confirmem a recuperação.
Acompanhar as próximas divulgações do Boletim Focus, os indicadores de preços e a evolução das decisões judiciais e comerciais internacionais será essencial para entender a trajetória da previsão de inflação e suas consequências no Brasil.