A articulação busca sensibilizar o Supremo para conceder prisão domiciliar humanitária a Jair Bolsonaro, com visitas, telefonemas e apelos à comissão interamericana
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, intensificaram nos últimos dias uma mobilização junto a ministros do Supremo Tribunal Federal por uma **prisão domiciliar de Bolsonaro** por razões humanitárias.
O movimento incluiu um encontro presencial entre Michelle e o decano Gilmar Mendes, além de telefonemas de Tarcísio a ao menos quatro ministros do STF, segundo correligionários, numa tentativa de mostrar piora no estado de saúde do ex-presidente e sensibilizar a Corte.
A articulação também passou por apelos à comissão interamericana, numa estratégia que combina encontros pessoais e pressão externa para obter a concessão de prisão domiciliar, conforme informação divulgada pelo g1.
Encontros e contatos no STF
Michelle encontrou presencialmente o decano Gilmar Mendes, segundo apuração, e o encontro foi antecipado pela coluna de Andreia Sadi, do G1, e confirmado pelo gabinete do ministro. A informação sobre o motivo da reunião não foi especificada, mas interlocutores afirmam que o objetivo foi sensibilizar ministros sobre a necessidade de **prisão domiciliar de Bolsonaro** por motivos humanitários.
Fontes próximas dizem que Tarcísio de Freitas ligou a quatro ministros do STF nesta quarta-feira, sem confirmação dos nomes. Aliados avaliam que a iniciativa tenta provocar um desconforto entre integrantes do tribunal que, segundo relatos, não veem a manutenção do regime fechado como adequada ao ex-mandatário.
Histórico da detenção e pedidos negados
Segundo a reportagem citada, Bolsonaro ficou em prisão domiciliar de 4 de agosto até 22 de novembro, quando foi preso preventivamente por tentar violar a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda. A prisão ocorreu no âmbito do inquérito que apura a atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Além disso, no dia 25 de novembro, Moraes encerrou a ação penal da suposta tentativa de golpe de Estado e determinou o cumprimento imediato da pena de 27 anos e três meses de prisão de Bolsonaro. A defesa apresentou diversos pedidos de prisão domiciliar humanitária, que foram negados pelo ministro Alexandre de Moraes, conforme as decisões nos autos.
Decisão de Moraes e a transferência para Papudinha
O ministro Alexandre de Moraes manteve posição firme sobre o regime de cumprimento da pena, considerando adequada a custódia em sala de estado-maior da Polícia Federal, e em despacho recente, determinou a transferência de Bolsonaro para um espaço chamado Papudinha, segundo informações oficiais.
O gabinete do ministro tem afirmado que Moraes só se manifesta por meio dos autos, e as solicitações de relaxamento do regime por parte da defesa continuam sendo analisadas e negadas até o momento.
Impactos políticos e próximos passos
Para aliados do ex-presidente, a tentativa de obter a **prisão domiciliar de Bolsonaro** tem também um componente político, ao reforçar vínculos com lideranças como Tarcísio, após questionamentos sobre seu engajamento na campanha do clã. Já no plano jurídico, a defesa segue apresentando pedidos, e a estratégia inclui recursos a instâncias internacionais.
O caso deve permanecer no centro do debate público e jurídico nos próximos dias, com novas movimentações de defesa e reações no meio político e entre integrantes do STF, enquanto a Corte mantém a análise das medidas solicitadas.