Com a saída inesperada de Lewandowski, o Planalto estuda nomes técnicos e políticos para o Ministério da Justiça, análise inclui impactos eleitorais e a possível criação da pasta de Segurança Pública
A cadeira deixada por Ricardo Lewandowski no Ministério da Justiça aqueceu a chamada bolsa de apostas em Brasília, com diversos nomes sendo citados desde o início da semana.
Perfis técnicos e políticos aparecem na lista de cotados, cada um com vantagens e riscos eleitorais, e a decisão envolve também a eventual criação da pasta de Segurança Pública.
As informações sobre os nomes na lista e sobre a estratégia do Palácio foram divulgadas pelo UOL, conforme informação divulgada pelo UOL.
Quem são os cotados e seus perfis
Entre os nomes mais citados está o advogado-geral da Petrobras, Wellington César Lima e Silva, que já ocupou a Justiça interinamente no governo Dilma e exerceu função na Secretaria de Assuntos Jurídicos da Casa Civil antes de ir para a Petrobras por nomeação do presidente.
Wellington tem padrinhos políticos próximos ao presidente, entre eles o advogado-geral da União, Jorge Messias, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o senador Jaques Wagner, porém o seu perfil é considerado mais técnico do que político, uma desvantagem em ano eleitoral.
PF, confiança pessoal e riscos operacionais
Também figura na lista o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, considerado de estrita confiança do presidente e bem-visto no ministério, o que pesa a seu favor.
Fontes consultadas apontam, entretanto, que a nomeação de Andrei poderia gerar um problema prático, já que não haveria um sucessor imediato à frente da Polícia Federal, e há receio de mexer em um time que, segundo aliados, vem funcionando bem.
Outros nomes, sociedade civil e apoios partidários
O advogado Marco Aurélio Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas, esteve com o presidente e disse a interlocutores que não precisa necessariamente assumir o ministério, afirmando que já exerce papel relevante na sociedade civil e poderia contribuir na campanha de reeleição.
Correm por fora o ex-ministro Tarso Genro, que conta com simpatia em certa ala do PT, o ministro da Educação, Camilo Santana, e o chefe da Controladoria Geral da União, Vinicius Carvalho, todos avaliados por seus perfis políticos e custos eleitorais.
Decisão sobre divisão da pasta, PEC e calendário
Uma decisão paralela é a possível divisão do Ministério da Justiça para criar a pasta de Segurança Pública, tema que está condicionado à aprovação da PEC da Segurança Pública no Congresso.
Fontes do Planalto e da pasta indicam que o presidente Lula já está decidido sobre a criação da nova pasta, restando apenas definir o momento certo para implementar a mudança, que pode ocorrer ainda em 2026 ou apenas no ano seguinte, caso haja vitória na reeleição.
O cenário político, as demandas operacionais e a necessidade de manter estabilidade na segurança e nas estruturas da PF são fatores que devem guiar a escolha, enquanto a bolsa de apostas em Brasília segue em alta até a definição final.